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A falta que o planejamento urbano faz

A falta que o planejamento urbano faz

Em vários artigos publicados nesta coluna vimos tratando das condições das grandes cidades, situadas em países pobres e em desenvolvimento: expansão urbana fora de controle; alto impacto aos recursos naturais como ar, água e solo; pouca oferta de serviços públicos. O mais grave problema, o entanto, é a falta de um planejamento regular, a ausência de políticas públicas que possam imprimir uma direção ordenada e controlada ao crescimento destas cidades.

A cidade de São Paulo é um exemplo desta falta de ordenamento urbano, em grande parte devido a seu próprio desenvolvimento histórico. Núcleo urbano afastado da costa, posto avançado do império português em meio ao sertão bravio, São Paulo permaneceu uma vila de alguns milhares de habitantes durante mais de trezentos anos. Foi somente na segunda metade do século XIX que a pequena cidade começou a ganhar importância, com o desenvolvimento da economia cafeeira do interior do estado. Desta época datam os primeiros ordenamentos urbanos e as primeiras intervenções do poder público, visando direcionar o crescimento e o funcionamento dos serviços da cidade. Mesmo assim, um primeiro planejamento – pelo menos no que se refere aos fluxos de transporte na cidade – só apareceu na década de 1930, durante a primeira administração do prefeito Prestes Maia (1938-1945).

O primeiro Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado de São Paulo só foi elaborado em 1971, durante a administração Figueiredo Ferraz e o primeiro zoneamento urbano da cidade data de 1972. O Plano Diretor Estratégico do município só foi aprovado em 2002, durante a administração Marta Suplicy, tendo sido revisto em 2009. Percebe-se por mais este exemplo que planejamento nunca foi item de grande importância na administração pública brasileira. E o problema continua, mesmo com a administração municipal podendo contar com sofisticados mapas da cidade feitos por satélites, sistemas computacionais e modernos softwares para fazer diversos tipos de simulações.

O exemplo mais recente de falta de planejamento – além dos inúmeros casos com os quais deparamos a cada dia – é o caso da verticalização de diversos bairros da capital. Segundo declaração da urbanista Lucila Lacreta, da ONG Defenda São Paulo, publicada recentemente no jornal O Estado de São Paulo, a Prefeitura está aprovando uma série de empreendimentos e não vem levando em conta os impactos cumulativos destes empreendimentos. Ainda segundo a urbanista, a Secretaria da Habitação aprova determinados projetos e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) outros. Todavia, não existe uma análise mais ampla do impacto destas iniciativas, assim como o planejamento do transporte público, com trens, ônibus e metrô, é esquecido.

O avanço dos projetos imobiliários em várias regiões da cidade está priorizando o transporte individual, o que deverá aumentar ainda mais os congestionamentos nestas regiões e com impactos no resto da cidade. Somente na Marginal do Rio Pinheiros, a construção de doze novos grandes empreendimentos deverá levar cerca de 50 mil veículos a mais para a região. Assim, apesar de toda a tecnologia disponível, o planejamento urbano continua sendo um dos grandes problemas de São Paulo.

Ricardo Ernesto Rose, Jornalista, Graduado em Filosofia e Pós-Graduado em Gestão Ambiental. Atua desde 1992 nos setores de meio ambiente e energia, na área de marketing de tecnologias. Diretor de Meio Ambiente da Câmara Brasil-Alemanha é editor do blog: www.danaturezaedacultura.blogspot.com

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Ricardo Ernesto Rose, jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias.

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