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O que está acontecendo ?

O que está acontecendo ?

O Google acaba de lançar um Observatório Mundial de controle de queimadas pelo mundo, em real time.

A ferramenta permite avaliar a partir do ano 2000 até o presente, a evolução do desmatamento em todas as partes do mundo por país e em praticamente toda as línguas. O trabalho foi apoiado pela  conceituada Universidade de Maryland, e as imagens  de altíssima qualidade,  estão gratuitamente disponibilizadas.

De acordo com a reportagem da Revista Exame,  Andrew Steer,  Diretor Geral do World Resources Institute e líder da criação desta sofisticada  base de dados, destacou os  problemas para a montagem deste precioso trabalho.

Custo da operação ? Tecnologia ? Apoio ? Diversidade da legislação dos países ?

Nada disso foi citado. A frase que reproduzimos é emblemática : “O problema para reunir os dados não foi a falta de vontade, nem a ausência de leis para regular o desmatamento. O problema é, entre outros, a falta de capacidade para saber realmente o que está acontecendo”.

Esta afirmação é muito pior do que efetivamente as queimadas representam no Brasil e no mundo, pois não mensurar adequadamente um problema, em geral mascara outros, talvez maiores.

Esta lógica em avaliar com qualidade um sintoma antes de ministrar o remédio, é o pensamento milenar que regula a medicina. Os profissionais da saúde entendem que ignorar um pequeno problema inicial no organismo, poderá ser muito pior do que reconhecer a existência de um grande problema a posteriori. Pois  felizmente, toda doença crônica, até as mais severas, são passíveis de controle, desde que reconhecida e combatidas a tempo.

 

É aí que mora o perigo no Brasil no campo ambiental como um todo.

Nunca sabemos ao certo o que está acontecendo.

As atitudes e declarações dos órgãos oficiais brasileiros contrastam com a maneira que o mundo civilizado está reagindo às questões ambientais.

Por exemplo, no campo energético, enquanto a Alemanha desativará até  2025  suas usinas nucleares (25% do fornecimento de eletricidade do país) o Brasil trilha uma contra mão desta tendência, retomando a construção de Angra 3, interrompida desde o século passado. Enquanto isso, o próprio Google investe no projeto Conexão Eólica, para produzir energia a partir de geradores instalados no meio do Atlântico Norte, transmitindo-a para o continente. Mais ainda, este gigante da internet  instalou painéis fotovoltaicos no deserto da Califórnia.

O Brasil historicamente, é um país onde as verdadeiras soluções para os problemas nacionais, partem dos cidadãos organizados, e  a princípio em instituições competentes.

O próprio Instituto de Engenharia de São Paulo é a maior comprovação desta verdade.  A crise energética ocorrida dos anos 70, expôs na oportunidade a dependência brasileira do petróleo da OPEP. E nas mesas de almoço dos engenheiros  foi dado o pontapé inicial para o Pró-Álcool, naturalmente diante de algum ceticismo, pois uma proposta para substituir  petróleo por cana de açúcar, gerou controvérsias públicas. Muito se questionou sobre a inviabilidade econômica em razão  da relação custo x benefício nada atraente no início do processo.

Graças a Deus que os técnicos teimosos de plantão não ouviram estas desconsiderações, pois hoje estaríamos muito piores do que já estamos.

A questão é clara. O Google não está preocupado em utilizar energia solar ou eólica porque fica bem na foto. Muito menos ainda controlar queimadas seja o foco do negócio deles. Estão assim agindo por interesses em preservar seus negócios e curiosamente em países aonde a gestão e a responsabilidade do Estado são  severas e competentes.

Entender portanto, com critérios confiáveis a questão do desmatamento  no Brasil  ministrando  remédios e soluções adequados, nos parece hoje que é um compromisso necessário da sociedade civil, muito a frente de políticas ineficientes de governo.

E para isto teremos que organizar ações baseada no conhecimento de  respeitáveis instituições, que possam oferecer soluções e alternativas confiáveis na questão do desmatamento.

O despertar desta vontade inicial ainda é sem custo, ocorre até em almoços como a história comprova.

Certamente teremos que por a mão no bolso  e buscar recursos, contudo não levando em consideração o aspecto do payback,  partindo da premissa que a evolução tecnológica solucionará esta questão. Agindo assim descobriremos certamente soluções na questão do desmatamento como o fizemos na substituição do petróleo através do Pró-Álcool.

Precisamos agir portanto como a direção do Google têm agido, com olhar voltado ao futuro e aos nossos interesses , com recursos próprios independente de governos, até mais organizados que o nosso. Para corroborar esta linha de pensamento, servimo-nos do mestre Peter Drucker que afirmava “ Resultados e recursos existem fora da empresa, não dentro dela.”

Então vamos dar nosso primeiro passo em direção a questão do desmatamento e entender  com clareza : o que está acontecendo ?

Roberto Mangraviti

 

Economista, Consultor de Sustentabilidade da ADASP-Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo. Colunista do Instituto de Engenharia de São Paulo. Editor do Portal Sustentahabilidade.com, Diretor e Apresentador do Programa ADASP-SustentaHabilidade pela WEBTV..

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade.com pela WEBTV. Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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