Artigos

Ainda a questão do saneamento

Ainda a questão do saneamento

A infraestrutura brasileira continua não atendendo as necessidades do País. Portos,
aeroportos, estradas e tudo mais – até os apagões estão novamente se tornando frequentes.
O saneamento, apesar dos investimentos do PAC, também só avança lentamente. Ainda é
significativo o numero de residências não ligadas à rede de coleta de esgoto. Segundo o diretor
do Departamento de Água e Esgotos do Ministério das Cidades, Johnny Ferreira dos Santos,
existem cerca de 50 milhões de pessoas, vivendo em 17,5 milhões de domicílios, que não têm
acesso à rede coletora. A maior parte desta população vive nas regiões Norte e Nordeste. O
pior é que do volume total de esgoto gerado no Brasil, menos de 60% é efetivamente tratado.
O restante – vale a pena repetir toda vez – vai diretamente para os rios, lagos e oceano. A
formação de “zonas mortas” no litoral brasileiro, áreas no oceano onde quase não existem
peixes e abundam algas e outros organismos mais simples, é resultado da descarga de
grandes volumes de efluentes domésticos.

Apesar da dificuldade em resolver o problema, colocando-nos no rol dos países
latinoamericanos que menos tratam seus efluentes, representantes do governo parecem ser
otimistas. O já citado diretor do Departamento de Águas e Esgotos do Ministério das Cidades,
afirma que a universalização dos serviços de saneamento poderá ser alcançada até 2030, com
um aporte de 430 bilhões de reais. Os recursos, segundo o especialista, estão garantidos no
PAC 1 (Plano de Aceleração do Crescimento) e no PAC 2. “No PAC 1, tivemos R$ 40 bilhões
para o setor e o PAC 2 ampliou de R$ 45 bilhões para R$ 55 bilhões o montante previsto para
investimentos até 2015”, completa.

O projeto de despoluição do Rio Tietê é um exemplo de como se encontra a questão do
saneamento. O projeto foi iniciado em 1992, com aportes financeiros do Estado de São Paulo
e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ao longo do tempo, as obras sofreram
descontinuidade, tanto por falta de recursos quanto problemas de gestão, demonstrando a
importância secundária que o tratamento do esgoto ainda tem nas administrações públicas.
Estava previsto que até 2015 deveria estar terminada a 3ª fase do projeto; o que elevaria a
taxa de coleta de esgoto na Grande São Paulo de 85% para 87% e o tratamento de 72% para
84%. No entanto, a companhia estadual de saneamento, a SABESP, coordenadora do projeto,
parece ter dificuldades em manter este cronograma, segundo a agência ambiental do estado,
a CETESB. A questão já foi tão longe, que o Ministério Público entrou com uma ação contra a
SABESP, a Prefeitura de São Paulo e o BID, pedindo uma reparação de danos ambientais no
valor de R$ 11,5 bilhões. Enquanto a polêmica se estende, aproxima-se o prazo final previsto
de conclusão da obra, em 2020.

Neste caso trata-se de uma das mais desenvolvidas e prósperas regiões do país. O que dizer,
no entanto, sobre outros municípios, onde faltam recursos financeiros e humanos, além de
inexistir uma imprensa crítica, capaz de alertar e mobilizar a opinião pública? Nunca custa
repetir que a qualidade da infraestrutura, principalmente os serviços de saneamento, reflete
o grau de desenvolvimento de um país e a preocupação do governo com o bem-estar de sua
população. Por que, por exemplo, não destinar parte dos royalties do petróleo para financiar
obras de saneamento?

Ricardo Rose é jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Atua
desde 1992 nos setores de meio ambiente e energia, na área de marketing de tecnologias.
É diretor de meio ambiente da Câmara Brasil-Alemanha e editor do blog “Da natureza e da
cultura” (www.danaturezaedacultura.blogspot.com)

Artigos

Ricardo Ernesto Rose, jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias.

Mais em Artigos

BNPETRO

Unicórnio nacional é destaque no mundo dos negócios ambientais

Roberto Mangraviti8 de agosto de 2020
Energia limpa crescendo em 2020 no Mundo

Energia limpa crescendo em 2020 no Mundo

Roberto Mangraviti3 de agosto de 2020
Novo marco legal do saneamento

Novo marco legal do saneamento

Roberto Mangraviti26 de julho de 2020
Conheça do benefícios das plantas medicinais e aromáticas

Conheça do benefícios das plantas medicinais e aromáticas

Isabel Gimenez20 de julho de 2020
Irrigação por Energia Solar

Primeiro pivô de irrigação por energia solar é lançado no Brasil

Roberto Mangraviti13 de julho de 2020
Biosolvit é ganhadora do Virtual South Summit de Sustentabilidade

Biosolvit é ganhadora do Virtual South Summit de Sustentabilidade

Roberto Mangraviti28 de junho de 2020
Transações online de gado ganham força durante pandemia

Transações online de gado ganham força durante pandemia

Roberto Mangraviti15 de junho de 2020
Oceanos e suas biodiversidades em alerta

Oceanos e suas biodiversidades em alerta

Convidado9 de junho de 2020
Resignifcando o Século XXI e ½ : do “politicamente correto” ao economicamente inepto.

Resignifcando o Século XXI e ½ : do “politicamente correto” ao economicamente inepto.

Roberto Mangraviti7 de junho de 2020

Quis autem vel eum iure reprehenderit qui in ea voluptate velit esse quam nihil molestiae consequatur, vel illum qui dolorem?

Temporibus autem quibusdam et aut officiis debitis aut rerum necessitatibus saepe eveniet.

Copyright © 2015 Sustentahabilidade - Todos os direitos reservados.
Os artigos publicados neste Portal, são de responsabilidade exclusiva de seus respectivos autores. Para mais informações: contato@sustentahabilidade.com

Outros emails específicos: classificados@sustentahabilidade.com dependenciaquimica@sustentahabilidade.com