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Alimentos Orgânicos … mocinhos ou vilões do Meio Ambiente?

Alimentos Orgânicos … mocinhos ou vilões do Meio Ambiente?

O consumo de alimentos orgânicos vem crescendo no Brasil e no mundo, principalmente devido ao comprovado fato de que o uso de agrotóxicos pode causar danos à saúde e ao meio ambiente. Porém, será que alimentos orgânicos são assim tão benéficos?

 

ALIMENTOS ORGÂNICOS

Para que um alimento seja considerado orgânico, sua produção deve ser livre de fertilizantes, hormônios ou qualquer produto químico, garantindo que o processo seja o mais natural possível.

 

AS VANTAGENS

Do ponto de vista nutricional, os alimentos orgânicos e os alimentos cultivados de modo convencional são semelhantes. Porém, um dos argumentos que mais pesam a favor da produção orgânica é a ausência de substâncias capazes de agredir o meio ambiente. O uso de agrotóxicos é extremamente prejudicial ao ecossistema, podendo afetar a sobrevivência de espécies animais e vegetais, degradar recursos naturais e causar desequilíbrios ecológicos irreversíveis.

 

AS DESVANTAGENS

Um estudo publicado na revista Nature [1] mostra que áreas de cultivo orgânico contribuem com a emissão de gases de efeito estufa mais do que as áreas de cultivo tradicional. O modo de uso da terra está intimamente ligado às alterações climáticas, visto que tanto o solo quanto a vegetação nativa estocam quantidades abundantes desses gases, e sua perda devido à expansão da agricultura é responsável por cerca de 20 a 25% das emissões de gases na atmosfera.

Se por um lado o uso de fertilizantes é prejudicial, por outro, a ausência deles exige que maiores áreas sejam utilizadas para cultivo, a fim de se obter o mesmo rendimento final. Em outras palavras, para o cultivo orgânico são necessários mais hectares de terra para se produzir a mesma quantidade de alimento que é produzida de modo convencional. Isso significa uma maior área de desflorestamento e, consequentemente, maior emissão de dióxido de carbono.

 

ENTENDA O ESTUDO

Os pesquisadores desenvolveram um novo índice, denominado Custo de Oportunidade de Carbono, para mensurar a eficiência dos diferentes tipos de uso da terra, levando em consideração tanto a capacidade global de estoque de carbono, quanto a redução na emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.

Os resultados mostram que as escolhas sobre a finalidade do uso do solo (se plantação, criação animal ou produção de combustíveis), bem como o modo de utilização (se convencional ou orgânico) podem ter impactos climáticos muito maiores do que se imaginava.

Considerando os tipos de plantação, o índice mostra que embora as terras de cultivo orgânico estejam relacionadas a menores emissões diretas de dióxido de carbono em relação às plantações convencionais, essa emissão é na verdade muito maior quando consideramos a área de desflorestamento necessária para que uma plantação orgânica produza a mesma quantidade de alimento que é produzida de modo convencional.

 

AS CONCLUSÕES

Em suma, o estudo mostra que ao mesmo tempo que a expansão da produção de alimentos orgânicos pode ser benéfica para o meio ambiente, ela também pode ser prejudicial do ponto de vista climático. Isso sugere que não apenas a preservação da biodiversidade e do ecossistema devem ser considerados na escolha do melhor modo de utilização do solo, mas também o impacto que essas escolhas podem ter nas alterações climáticas globais. A conscientização da sociedade acerca das questões ambientais vem aumentando, e com isso esperamos que venha o desenvolvimento de métodos capazes de balancear os prós e contras da agricultura na perspectiva ambiental.

 

Texto: Lidiane Torres

Fonte da imagem:

Adaptada de Yen Strandqvist/Chalmers University of Technology, disponível em: <www.sciencedaily.com/releases/2018/12/181213101308.htm>

Referência

[1] Dumas P et al. Assessing the efficiency of changes in land use for mitigating climate change. Nature, 2018; 564: 249 DOI: 10.1038/s41586-018-0757-z. Disponível em <https://www.nature.com/articles/s41586-018-0757-z>

Outros textos da autora:

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Artigos

Bióloga, bacharel em Genética e Bioquímica, com Mestrado e Doutorado em Genética Humana pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Atualmente é pesquisadora de Pós-Doutorado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Tem experiência como professora e palestrante desde 2009, e conta com diversos artigos publicados em revistas internacionais.

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