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Aquecimento global cada vez mais real

Aquecimento global cada vez mais real

Durante a primeira quinzena de maio de 2013 foi alcançada uma marca muito importante para a humanidade e para o planeta Terra: segundo medições, o nível de dióxido de carbono (CO²) atingiu as 400 partes por milhão (ppm); o que significa que há 400 partes deste gás para cada milhão de partes de ar. As medições de CO² dissolvido na atmosfera terrestre começaram no fim da década de 1950, quando estavam em 315 ppm. Para se evitar o aumento do aquecimento global e das mudanças do clima, a ciência havia estabelecido o limite de 350 ppm.

Segundo a ciência, com relação ao clima, o último bilhão de anos da história do planeta pode ser dividido em dois períodos de aproximadamente 500 bilhões de anos. De um bilhão até 500 milhões de anos atrás, o planeta era muito frio, muito mais do que hoje. Neste período, segundo o geólogo Ernesto Lavina em entrevista para o jornal IHU online, “havia muitas geleiras espalhadas pelas latitudes médias e altas. Houve um momento, em torno de 640 milhões de anos atrás, em que toda a Terra se congelou, inclusive o Equador. É a teoria da Bola de Neve.” Através do vulcanismo, com o lançamento de cinzas vulcânicas, CO² e vapor d´água para a atmosfera, o clima foi gradativamente se tornando mais quente, através do processo que hoje chamamos de efeito estufa. Ainda segundo Lavina, nos últimos 500 milhões de anos o clima do planeta foi na maior parte do tempo mais quente do que atualmente, não havendo gelo nos polos. Os períodos de polos congelados são raros; há 444 milhões de anos, há 300 milhões e no período atual, que teve início há cerca de 1,8 milhões de anos.

Tudo indica que devido às recentes condições climáticas do planeta associadas às atividades humanas, vivemos o período mais quente na história da Terra dos últimos 3,5 milhões de anos. Segundo o professor Brian Hoskins, diretor do Instituto Grantham para Mudanças do Clima do Imperial College de Londres, da última vez que a Terra estava tão quente não havia gelo permanente na Groenlândia e o nível dos mares era muito mais elevado. Já não restam mais dúvidas, portanto, de que a atmosfera está gradualmente se aquecendo por força do efeito estufa, ou seja, acúmulo de gases na atmosfera. O que não se sabe ainda é se este fenômeno pode ser creditado unicamente às atividades antrópicas (humanas).

O aquecimento do planeta deverá causar grandes impactos ao clima e ao tempo meteorológico. Onde existe abundância de chuva poderá ocorrer estiagem, alterando biomas e atividades econômicas; regiões frias se tornarão mais quentes; nível dos oceanos aumentará lentamente. O impacto destas mudanças provavelmente se manifestará em tempo perceptível no espaço de uma vida humana. Exemplo concreto disso é a diminuição da calota de gelo no Ártico, cujos primeiros sinais apareceram na década de 1970.

Enquanto o processo avança na natureza, a maior parte das pessoas, empresas e países está convencida de que a inventividade humana criará novas tecnologias, capazes de fazer frente ao desafio climático – o que é bastante provável. No entanto, ainda não conseguimos avaliar qual o custo a ser pago na realocação de cidades litorâneas e áreas de plantio inundadas; na reconstrução de portos, estradas e centrais elétricas. Além disso, desconhecemos o impacto social e econômico, resultante da migração de milhões de pessoas para outras regiões.

Ricardo Ernesto Rose jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias. É diretor de meio ambiente da Câmara Brasil-Alemanha e editor do blog “Da natureza e da cultura” (www.danaturezaedacultura.blogspot.com)

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