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Atingiremos as Metas do Milênio?

Atingiremos as Metas do Milênio?

As Metas do Milênio foram criadas pela ONU em 2000, com o objetivo principal de melhorar as condições sociais e ambientais do planeta. O documento foi assinado por 190 nações e estabelece oito objetivos principais prevendo, entre outras coisas: a erradicação da pobreza extrema e da fome; a redução da mortalidade infantil e o acesso universal à educação básica; a melhora da saúde feminina e a igualdade entre os sexos; combate às doenças e epidemias e a promoção da sustentabilidade ambiental.

 

A maior parte das nações pobres e em desenvolvimento vem trabalhando para atingir as metas até 2015 – data estabelecida como prazo final. Não haverá punições ou sanções aqueles que não alcançarem os objetivos, já que são inúmeros os fatores que podem interferir nos planos de investimento na área social ou infraestrutura de um país. Guerras, catástrofes naturais, revoluções, crises econômicas, más condições climáticas; são ocorrências que demandam recursos, que acabam faltando em outras áreas, como a educação, o combate à pobreza e a saúde.

 

Nos anos 1980 e 1990 o Brasil era um grande devedor no mercado internacional, com uma dívida externa muito alta. O país sofreu muitas pressões e ingerências por parte de organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, fazendo com que fosse dada prioridade ao pagamento dos juros da dívida. Assim, diversos investimentos que à época eram extremamente necessários em infraestrutura – saneamento, transportes, saúde e educação – foram contingenciados, o que acabou causando problemas que afetam o país até os dias atuais.

 

Em relação ao atendimento das Metas do Milênio, o Brasil ainda tem muito trabalho por fazer. Segundo avaliação do governo e de entidades internacionais o país atendeu até agora três dos oito compromissos. Estão avançadas as providências em relação à erradicação da miséria e da fome, para o que muito contribuiu a estabilização da moeda durante o governo FHC, bem como o crescimento da economia e a criação de projetos sociais durante os governos do PT. Com isso, a meta de reduzir pela metade o número de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza foi atingida em 2007. Outro aspecto que avançou bastante nos últimos anos foi o combate à AIDS e a outras doenças, apesar do retorno periódico da dengue e da crise na saúde.

 

Ainda são necessários muitos avanços na igualdade de gênero e valorização da mulher, principalmente na melhora da saúde das gestantes. No país ainda morrem 68 mulheres para cada 100 mil crianças nascidas e a meta será baixar este número para 35 mortes por 100 mil nascimentos. Outra área onde o Brasil se encontra extremamente atrasado é no saneamento básico, principalmente na coleta e no tratamento de esgoto doméstico. O governo prevê que até 2033 todos os brasileiros disporão deste serviço público. Mas considerando o ritmo dos investimentos – e apesar do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) – é pouco provável que esta meta seja atingida dentro deste prazo.

 

As Metas do Milênio representam o mínimo que um país deve atingir para sair de uma situação de total subdesenvolvimento. Estes parâmetros dizem respeito aos países que ainda se encontram em deficiente situação social e econômica. O Brasil, sendo a sétima maior economia do planeta, tem suficientes recursos para atingir estes objetivos. No entanto, é preciso vontade política.

 

Ricardo Rose é consultor, jornalista e autor, pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Graduado e pós-graduado em filosofia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias, trabalhando para instituições internacionais. Atualmente é consultor em inteligência de mercado no setor de sustentabilidade. É editor do blog “Da natureza e da cultura” (www.danaturezaedacultura.blogspot.com). Seu site profissional é: www.ricardorose.com.br

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Ricardo Ernesto Rose, jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias.

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