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Consumo consciente atrapalha a economia?

Consumo consciente atrapalha a economia?

O hábito do consumo consciente, tem provocado discussões sobre a possível redução da atividade econômica, ou que venha prejudicar eventualmente mercados e/ou nações.

Olhar de forma “obliqua” esta questão pode levar a uma conclusão equivocada, talvez por desconhecimento dos fatores da economia.

Inicialmente, vale destacar que consumir de forma consciente não significa comprar menos, mas comprar “bem”, sabendo a procedência do que se compra e  como o produto consumido foi produzido (impacto na cadeia produtiva ), quanto ao respeito às leis socioambientais.

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Mas devemos ir além no aprofundamento deste conceito e refletir,  por exemplo, se ao evitarmos adquirir novos automóveis (para reduzir emissão de CO2), vamos gerar desemprego? A resposta é NÃO. Pois duas possibilidades derivam desta situação, ou o consumidor irá direcionar sua renda para outro produto, (gerando emprego, impostos etc. em outro mercado) ou irá poupar, que em tese, reduziria a necessidade de ”importação“ da poupança externa. De mais a mais, esta escolha social (produzir menos automóveis) deveria estar associada a políticas públicas de transporte, que gerariam empregos na construção civil (e em toda cadeia) e na sequência nas empresas de transporte. Contudo planejar nunca fez parte do nosso cardápio cultural, e muitas vezes perdemos oportunidades econômicas, como na crise de 2008 quando o mercado internacional estava apto e voraz para investir no Brasil, e os fatos atuais nos mostram uma triste realidade.

Historicamente o Brasil vive oscilações econômicas, desde o ciclo do açúcar (séculos XV e XVI) ciclo do ouro (séculos XVII e XVIII), da borracha (XIX) e mais recente (XX) do café, comprovando que nossa nação navega nas ondas dos altos e baixos da falta de planejamento associada a uma péssima gestão da coisa pública, especialmente no século XXI. Desta forma o cidadão, ora opta pelo consumo, ora pela construção do patrimônio, poupando mais e consumindo menos, conforme o sobe e desce das “marolinhas” econômicas. Mas é fundamental destacar que no momento do consumo, há que se considerar questões de médio e longo prazo também, escapando do consumo desajuizado ou envolto em modismo. Há postura mais rudimentar e medieval do que formar fila numa loja de tecnologia, antes do lançamento de uma nova versão de celular? Ou ter veículos estacionados nas garagens para os dias de rodízio nos grandes centros urbanos? É muito complicado acionar a Uber no dia de rodízio, ao invés de ter um segundo veículo? Pior que não somente nos grandes centros urbanos que ocorre o consumismo irrefletido (pleonasmo), mas percebe-se esta deseducação cidadã  em todo lugar. Pois existem cidades no Brasil, com população menores que alguns bairros de São Paulo, onde seus habitantes possuem, em média, 02 automóveis, ou mais. Certamente nestes locais não impera sistema de rodízios de placas, tampouco dificuldades maiores de transposição das distâncias. Portanto mesmo que o automóvel estacionando numa garagem tenha gerado empregos e impostos no passado, mas certamente um equipamento de produção, mesmo que uma simples máquina de costura para consertos de roupas, poderia ser também importante para economia, numa visão amplificada de consumo consciente.

Para encerrar, está na hora de entendermos que o consumo destina-se ao nosso conforto pura e simplesmente, sem praticarmos abusos, e iniciarmos   a expurgar da  nossa conduta de consumidor, atitudes de “expor” aquilo que compra.

Autor: Roberto Mangraviti

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade pela WEBTV. Palestrante, Moderador de Seminários Internacionais de Eficiência Energética, Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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