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“Para depois da Copa” … Uma fruta brasileira

“Para depois da Copa” … Uma fruta brasileira

Quando o Brasil em 2010, fora escolhido para sediar a Copa do Mundo de futebol, as opiniões se dividiram entre os pessimistas e os otimistas.
O primeiro grupo entendia que era prioritário, antes de realizar um evento de magnitude planetária, investirmos em Hospitais, Escolas etc.
Os otimistas defendiam a tese de que o investimento, seria em grande parte estrangeiro e que deixaria um legado, em infraestrutura especialmente, além de uma ótima oportunidade de mostrar a beleza do país ao mundo inteiro e nosso jeito todo especial de ser.
De certa forma, as duas correntes apresentavam concretas razões para suas teses, mas o “ X” da questão, que comprovadamente invalidou o pensamento tanto de uma corrente, quanto da outra, é uma variável, desta equação, que é inversamente proporcional ao resultado, chamada Gestão. Quanto maior o valor de “x”, menor fica a tese pessimista e claro, vice-versa, quanto menor o valor de “x” mais sem nexo fica a tese otimista.
Na verdade o valor de “x”, que não era tão visível antes da realização do evento, pode ser traduzido mais adequadamente pela palavra “desconfiança”. E este sentimento é algo que anda par e passo com um velho conhecido agente de mercado denominado investidor.
Quando ele desconfia que algo pode dar errado, recua, quando sente-se seguro, avança.
E independente se houve ou não malversação do dinheiro público, desorganização e outras calamidades nesta caminhada, como mortes de operários em obras, uma coisa é certa, todas decisões de médio prazo, estão sendo deixadas “ para depois da Copa”.
O país criou portanto uma outra “fera”, como diria o jornalista esportivo das antigas João Saldanha. Ou para os mais jovens, criou outro “fenômeno” mundial, muito maior que o artilheiro Ronaldo , tipicamente brasileiro, com a nossa ginga e que entra em campo para arrasar o adversário, que é este tal “para depois da copa”.
As grandes empresas que estão envolvidas com o evento, só tem olhos para a Copa do Mundo. Assim qualquer nova ideia, negócio, proposta, mas que passe distante do campo de jogo delas, somente terá resposta “para depois da Copa”.
Para as pequenas e médias empresas, a coisa é mais séria, pois não estão obviamente vinculadas ao evento, então tudo fica mesmo “para depois da copa”.
Procurar um dentista agora, por conta daquela dor de dente recorrente, pintar a fachada da casa, trocar os móveis da cozinha, ou a poda do pé da jabuticaba, tudo para …
Sendo assim, não há como negar um fato, a Copa do Mundo, já é um péssimo negócio, que poderá se tornar pior ainda se a qualidade da organização, pós evento, for tida como ruim. Os danos para a reputação do país, no exterior, serão calamitosos.
E o que é pior, como as Olimpíadas já foram classificadas, dois anos antes do evento, como a mais desorganizada da história pelo Comitê Olímpico Internacional nesta semana, serão necessários incontáveis anos para apagar esta péssima impressão deixada, pois não poderemos inventar justificativas esfarrapadas, após serem cometidas duas falhas consecutivas, uma atrás da outra, no mesmo campo de jogo.
Então que fique uma lição a todos brasileiros. A Copa, Olimpíada ou qualquer coisa que se faça, nunca é boa ou ruim por si só. O fundamental é a competência com que se realiza as coisas, independente da dimensão daquilo que se faz. Como reza o antigo ditado do comércio do tempo das quitandas “quem não é competente, que não se estabeleça “.
Sendo assim, o sentimento de frustração já está instalado, caminhando para um certo temor, caso a palavra “para” se transformar em verbo (parar) que conjugado fica, tudo “ para depois da Copa.”
Se não aprendermos definitivamente que modelo de gestão, planejamento, execução dos projetos, não se realizam com palavras e promessas, continuaremos a ser a terra da jabuticaba criando fenômenos que somente acontecem no Brasil.
Portanto há uma nova fruta no cardápio tropical, criada em laboratórios da ineficiência, indigesta, de sabor ácido e azeda : para depois da copa.

Roberto Mangraviti
Economista, Consultor de Sustentabilidade da ADASP-Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo, Editor do Portal Sustentahabilidade.com, Diretor e Apresentador do Programa SustentaHabilidade pela WEBTV. Colunista do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade pela WEBTV. Palestrante, Moderador de Seminários Internacionais de Eficiência Energética, Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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