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“Desculpem o transtorno, estamos mudando sua Empresa”

“Desculpem o transtorno, estamos mudando sua Empresa”

Na recente onda de protesto pelo país, o cartaz “ Desculpem o transtorno, estamos mudando o país ” foi muito festejado pelos profissionais da mídia. No último dia 09 de julho a Folha de São Paulo, associou os movimentos sociais recentes e  possíveis repercussões no mundo dos negócios pois, as demandas sociais exigindo seriedade e justiça colocou toda sociedade questionando “ o que queremos neste país” e naturalmente aí se inclui  também produtos e serviços, onde a sustentabilidade e a responsabilidade social são temperos fundamentais nesta panela fervente.

Sendo assim, entender as mudanças exigidas no presente desonera a responsabilidade por mudanças forçadas no futuro (talvez de curto prazo) , muitas vezes a toque de caixa, motivadas por pressão fora da empresa, ou seja : dos clientes.  O conceito mais incrível deste raciocínio citado pela Folha é paradoxal,   “ é preciso trabalhar duramente todo dia e tornar sua empresa obsoleta “  ….  antes que a concorrência o faça.

Um exemplo bem relevante destas mudanças de rumo forçada, aconteceu com a centenária indústria eletroeletrônica Philips, em Eindhoven na Holanda, que vinha obtendo constantes prejuízos e perda de espaço em mercados diversos. A multinacional entendeu o “clamor das ruas“ e focou a estratégia da empresa no desenvolvimento de equipamentos hospitalares que tornassem os serviços de saúde acessíveis a quase toda população, além de concentrar esforços em pesquisa de equipamentos eficientes com baixo consumo de energia.

Para atender esta escolha,  nos últimos 2 anos a empresa  viu-se obrigada,  a abrir mão do seu produto mais  tradicional, a linha de TV à cores, por considerar o “ produto televisor” obsoleto e com resultados medíocres na operação, na visão de seus acionistas.   Esta mudança feria tanto a tradição cultural da empresa, que decidiu-se  substituir corajosamente, 200 executivos em todo mundo, por profissionais alinhados a esta nova dinâmica, afirmou o presidente mundial da multinacional holandesa, Frans  Van Hoten.

O resultado obtido foi fantástico, pois as ações valorizaram 50% neste período, e todas antigas discussões que dividiam a empresa, viraram pó e  devidamente arquivadas no museu na empresa, junto com os antigos televisores , ex-menina dos olhos da organização.

É chover no molhado, afirmar que novas tecnologias e inovação impactam comprovadamente nos modelos de negócios em escala progressiva.  Contudo renomados profissionais aqui no Brasil, continuam destacando os diagnósticos incorretos de parte do empresariado, que pouco se apercebem da necessária utilização destas tecnologias e conceitos,  como ressalta o presidente da Embrapa, Maurício Lopes,  onde de  cada R$ 100,00 de incremento em vendas, R$ 68, 00 é decorrente de novas tecnologias, e aí se hospeda o raciocínio de produzir um desmatamento cada vez menor para produzir-se cada vez mais.  Lopes, engenheiro agrônomo da renomada entidade, ratifica que o maior problema, não está na falta de tecnologia, mas na falta de utilização das tecnologias e conhecimentos  existentes.

Responder aos desafios que aí estão, é entender esta aparente “onda” de novos tempos, que exigirá olhar o tripé da sustentabilidade como ferramenta de apoio nas escolhas estratégicas, como fez a Philips, através de novos  produtos eficientes.

Compreender isto é provavelmente o caminho para entender a cabeça destes novos consumidores, suas preferências e escolhas, pois é razoável imaginar que no perfil médio desses jovens que encabeçaram os movimentos, dificilmente encontraremos consumidores dispostos a consumir casaco de pele animal , por exemplo. Este é o desafio destes CEO’s , na visão de muitos profissionais renomados, entender o que irá ocorrer.

O articulista e publicitário Nizan Guanaes que conhece mercado como ninguém, especialmente de bebidas, aplaude por exemplo,  a importância do espaço cada vez maior no mercado de cervejas sem álcool, classificando como  “inovação rumo ao bem estar”.

Exagero? Difícil responder, porém o dilema aí está, ou planejamos as mudanças antes que seja tarde temais, como fez a Philips aos 44 minutos do segundo tempo, olhando o futuro com foco na responsabilidade social ou podemos enrolar o jogo e levar para a disputa em pênaltis, como fizeram os políticos do Brasil, onde agora o resultado ninguém pode prever.

Neste última opção, corremos o risco de um dia acharmos uma placa na porta de nosso estabelecimento :  “Desculpem o transtorno, estamos mudando sua Empresa” .

 

Roberto Mangraviti

Economista, Consultor de Estratégias de Sustentabilidade da Trade Marketing.

Consultor da ADASP , Criador, Produtor e Apresentador do Programa ADASP-Sustentahabilidade,  na TV Sorocaba ao Vivo.

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade.com pela WEBTV. Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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