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Diferenças salariais entre mulheres e homens … Quem é o vilão?

Diferenças salariais entre mulheres e homens … Quem é o vilão?

Essa é uma discussão que persiste há muito tempo. Avaliando de forma macro os dados de pesquisas realizadas por empresas cujo o objeto principal é o emprego, nota-se que ainda existem diferenças salariais entre homens e mulheres no mesmo cargo e na mesma empresa.

Segundo uma pesquisa realizada pela Catho, em março de 2017, os índices nos fazem repensar nossa função no mercado de trabalho. A pesquisa nos mostra que para cargos operacionais, a diferença entre os salários chega a 58%, e para especialista graduado é de 51,4%. Completam o ranking: especialista técnico (47,3%), coordenação, gerência e diretoria (46,7%), supervisor e encarregado (28,1%), analista (20,4%), trainee e estagiário (16,4%) e assistente e auxiliar (9%). Em termos de salário absoluto podemos observar na tabela abaixo que as maiores diferenças estão alocadas em cargos de coordenadores e gerentes e consultores técnicos.

Notem que ao entrarmos na profissão como estagiários ou trainees, a diferença salarial não é tão absurda. Isso também ocorre em cargos de assistentes e auxiliares. A diferença existe, mas é proporcionalmente menor se comparada aos demais cargos. Isso nos demonstra que é no decorrer da trajetória da carreira que as diferenças realmente se acentuam. Mas por que isso ocorre?

A tabela abaixo, nos demonstra essas disparidades de forma mais específica e nos norteia para avaliarmos dados de forma menos genéricas, pois avalia também as categorias.

Se avaliarmos os dados de forma setorizada, podemos avaliar que áreas como arquitetura, esportes, pesquisas científicas e prestações de serviços cartorários, automotivos, informática, supermercados, etc, bem como serviços na área de gás, energia e água, a média salarial é praticamente a mesma, sendo a disparidade quase zero. Em contrapartida, áreas financeiras, comerciais e administrativas, notamos uma disparidade bem elevada.

 

Pesquisas mais abrangentes, levam em conta não somente padrões de áreas de atuação e função, mas levam em conta, fatores psicológicos, emocionais e padrões de sociedade.

Se observarmos as médias salariais relativas as áreas, podemos notar que áreas cuja média salarial é maior, as mulheres ganham valores menores. Infelizmente, parte desse resultado é por culpa da falta de representação. Como exemplo, temos a área de TI. Em 2007, a área de TI representava uma das maiores disparidades chegando a cerca de 50%. Mulheres em 2007, não possuíam grande representatividade na classe. E por quê? Porque em 2007 a área de TI era uma das menos procuradas por mulheres. Hoje em dia a desigualdade existe, mas está longe dos 50% de 2007.

Alguns pontos fazem com que as mulheres recebam menos que os homens. Em primeiro lugar, mulheres tendem a escolher profissões mais humanas e que em geral possuem remuneração menor. Isso é uma característica das mulheres. Mulheres na infância, brincam de casinha, de escolinha, de médica, etc. Quando perguntadas sobre a profissão do futuro, o tal, o que você quer ser quando crescer, as respostas são nessa mesma linha: professora, enfermeira, etc. Raramente meninas querem ser presidente do Brasil. Meu filho de 7 anos quer ser engenheiro, a amiga dele, professora.

Intuitivamente escolhemos profissões cujas remunerações são menores. E aí entramos no segundo problema: Profissões que pagam mais, requerem uma dedicação quase que descomunal.

Uma das leituras que me fez entender o quão essa dedicação pode ser determinante foi o brilhante livro Rumo ao Topo de Cathie Black. Nesse livro, fica claro que mulheres cujo objetivo de vida é ter uma carreira estruturada, abrem mão de outros fatores, tais como vida familiar, filhos e hora de lazer. Homens fazem isso de maneira instintiva.

Mas por que esse fator é um problema?

Segundo o Guia Salarial da Hays de 2016, 52% das pessoas tiveram aumento salarial, sendo que a maioria eram homens.

A pesquisa também mostrou que as mulheres se demitem mais, buscando equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, além de satisfação profissional. Segundo Caroline Cadorin, diretora da Hays Experts, as empresas estão buscando opções mais flexíveis para que mais mulheres consigam ter o equilíbrio que desejam.

Mulheres deixam o mercado de trabalho, em geral, antes dos 40 anos para se dedicar a vida pessoal e encontrarem o equilíbrio. Homens somente fazem essa escolha após os 50 anos.

Isso nos leva a outro fator. Em 2007, o nível de escolaridade de mulheres em comparação ao homem era cerca de 5 anos a mais. Mulheres em geral possuíam a graduação em maior número que os homens. Em 2017, a graduação ainda é maior para o sexo feminino em comparação ao masculino, em contrapartida, o nível de pós-graduação ou especializações é maior para o homem. O que isso nos aponta? Mulheres, saem do mercado de trabalho antes dos 40 anos, em busca de outros fatores. Se observarmos a estrutura de carreira, é nessa fase que níveis hierárquicos de maior valor absoluto são alcançados. Mulheres saem do mercado de trabalho formal, enquanto homens vão em busca de maior conhecimento e aquisição de novas técnicas. Se voltarmos e analisarmos os gráficos acima, notamos que a maior disparidade se dá em cargos de coordenação, gerência e consultores técnicos. Eles ficam e estudam mais. Nós saímos. Lei da oferta e demanda.

Por mais que as empresas atualmente estejam criando formas de mantê-las, tais como permitindo o trabalho home office, quando ocorre promoções, aberturas de novas áreas, abertura de novas vagas, as mulheres não estão fisicamente nas instituições. E infelizmente, ninguém nos “compra” se não souberem que estamos “à venda”, porque para evoluirmos proporcionalmente aos homens na carreira, temos que aprender a nos vender.

E aí que chegamos ao ponto mais impactante. Mulheres em geral, não sabem negociar. Voltemos a linha de disparidade coordenador, gerente e especialista.

Uma outra pesquisa, de cunho social, ao avaliar como mulheres e homens agem na hora da negociação, aponta que mulheres tendem a negociar de forma passional e menos racional. Homens ao negociar, apontam suas qualidades e valores agregados que trouxeram a empresa. Mulheres ao negociar, apontam dados como o mercado, a quantidade de trabalho, etc. Notaram a diferença da venda? Homens se posicionam como se eles fossem peças chaves na empresa, mulheres como se estivessem reclamando.

Segundo Andrew Chamberlain, economista-chefe da Glassdoor, as mulheres às vezes subvalorizam sua formação acadêmica nas negociações salariais. Para se ter uma idéia do quão ruim isso torna-se a longo prazo, Sallie Krawcheck, CEO e cofundadora da Ellevest, empresa de consultoria digital para mulheres, fez uma conta simples e chegou à seguinte conclusão: “Se a mulher ganha US$ 85.000 por ano e consegue um aumento para o nível do homem, isso representa US$ 1,7 milhão ao longo de 30 anos. Vale o estresse de curto prazo.”

Obviamente, em diversas áreas e setores, encontramos a desigualdade salarial. Mas precisamos também que as mulheres se posicionem e aprendam a se valorizar no mercado de trabalho.

Segundo estudos realizados sobre o assunto, somente em 170 anos as desigualdades salariais desaparecerão. Cabe as mulheres se posicionarem e diminuir esse hiato. Avaliem a área de TI, que em 10 anos praticamente zerou essa diferença. Se avaliarmos friamente, profissionais de TI, tendem a ser mais lógicos. A profissão exige. É fato que ao negociarem salários e promoções mulheres de TI tendem a usar métodos e argumentos mais direcionados ao objetivo final. Além disso, trata-se de uma área que demanda constante aperfeiçoamento. Não seria o caso de avaliarmos nossos métodos e traçarmos metas para o alcance dos objetivos de carreira? Pequenas mudanças certamente auxiliaram na diminuição do tempo estimado para zerarmos essas divergências salariais.

É fato que as diferenças em números existem. Mas isso só nos demonstra que ainda temos que melhorar alguns aspectos. Não nos ajudará em nada reclamarmos das diferenças e não nos atualizarmos, não procurarmos aprender a negociar e mais, se você mulher optar em ter qualidade de vida, saiba que em qualquer opção existe o ônus e o bônus.

As que optam por carreira, saibam que em qualquer opção existe o ônus e o bônus.

As que estão em fase de escolher a carreira, saibam que em qualquer opção existe o ônus e o bônus.

E a todos, saibam que em todas as opções, a única certeza é a luta constante.

 

Texto: Camila Gagliardi

Economista graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e designer de Interiores graduada pela FIAM-FAAM. Possui especialização em Controladoria, Auditoria e Finanças pela FGV e em Gestão de Projetos pela FIAM-FAAM.

Desde 2001 atua em gestão de projetos em diversos segmentos. Atualmente, leciona para cursos de pós-graduação na área de arquitetura e executa consultorias administrativas, financeiras e organizacionais.

contato@sustentahabilidade.com

imagem de capa:  Mercado de Trabalho

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Economista, designer de Interiores graduada, com especialização em Controladoria, Auditoria e Finanças pela FGV e em Gestão de Projetos. Professora dos cursos de pós-graduação na área de arquitetura e executa consultorias administrativas, financeiras e organizacionais.

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