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O “direito de errar” nos negócios e as tecnologias para inovação

O “direito de errar” nos negócios e as tecnologias para inovação

Todas as vezes que se fala em inovação, como não poderia deixar de ser, o Vale do Silício, é a referência mundial no assunto.

Quando buscamos motivos para justificar o sucesso lá alcançado, são enumeradas várias questões importantes, algumas até engraçadas, especialmente que na Califórnia existe a maior concentração de malucos do mundo por m2.

Outras, como as citadas em The 5 Rules for Silicon Valley Success That Can Work Anywhere” , destacam “ Pense um passo à frente” ou  “Esteja aberto para ouvir “, ou ainda, “Confiar e ser confiável”.

Os pragmáticos dirão simplesmente que naquele local, há muito dinheiro investido, gente competente e tecnologia de ponta em todos os cantos. That’s it !

Tudo isto também é verdade, mas a aplicação de toneladas de recursos, não resulta necessariamente em bons resultados, não somente porque a Lei dos Rendimentos Decrescentes existe há dezenas de anos na economia, mas fatores culturais impactam sobre maneira no modus operandi da criação.

E é claro que no Brasil, o fator cultural também prepondera, com o nosso cardápio de temperos locais.

O Programa SustentaHabilidade na WEB TV, aproximou-se destas questões procurando absorver e avaliar a dinâmica no Brasil da inovação.

Sendo assim em 2013, estivemos com professores de inovação, três exemplos mundiais, resultando num aprendizado grandioso que transcrevemos abaixo em rápidas linhas. O primeiro ocorreu em agosto, quando entrevistamos Gustavo Maia do Colab que venceu o prêmio internacional concedido pela New Cities Foundation, na Suíça sobre aplicativos urbanos. Em setembro, foi a vez de Alexandre de Sene  da BUG Agentes Biológicos. Este engenheiro agrônomo paulista  venceu o Prêmio Internacional de Tecnologia concedido pelo Fórum Econômico Mundial (vencido no ano 2000 pelo Google) pelo desenvolvimento do controle natural de pragas nas lavouras, através da criação de vespas, substituindo os defensivos agrícolas.  E em outubro o CEO do Cietec – Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia, Sergio Risola. Todos foram unânimes em afirmar a importância do modelo cultural na criatividade. No exemplo do Colab, o jovem engenheiro pernambucano desenvolveu o aplicativo motivado pelas questões de urbanidade de Recife não atendidas, naquela capital como no Brasil todo.  Já o representante da BUG, com um saudável sotaque piracicabano inconfundível, confessa-se atrelado as questões do campo. E desde a infância, no contato com seus pares, vivencia os assuntos do campo em debates sobre as pragas da lavoura. Assim decidiu buscar inicialmente uma solução para os sitiantes de pequeno porte, porém sua busca desaguou numa solução para mega fazendeiros. E hoje a BUG Agentes Biológicos controla através de vespas criadas em laboratórios, 500 mil hectares de lavouras no Brasil, sem utilização de defensivos químicos, respeitando a natureza como um verdadeiro caboclo tech do campo.

Contudo mesmo havendo esta questão cultural, tanto no Vale do Silício ou no Brasil, há um fator que é universal e eterno em todos os cantos do mundo : o direito de errar.

Desde Thomas Edison é assim. Antes de chegar até a descoberta da lâmpada, Edison colecionou equívocos, mas após cada um deles, confessava “agora já sei o que não devo fazer” .  Esta forma assertiva não tem cultura, raça ou religião, pois é o olhar de si próprio diante do erro. Porém o que  muda de país para país, é a dimensão e o respeito que se dá  diante do erro e da busca pela superação de cada profissional.

O CEO do Twitter Dick Costolo  declarou “ o Vale do Silício, empreendedores que falham não são tachados de fracassados e malvistos pela sociedade, não há o estigma da falha . Se alguém tenta construir algo, mas não dá certo, ele não é julgado por outros empreendedores ou investidores. O erro pode mostrar que se aprenderam muitas lições e que a pessoa está credenciada a tentar novamente. Essa cultura de apoiar a tentativa e quando ocorre, o erro, está impregnada no Vale e leva a muitos sucessos fenomenais.”

Diante desta contundente declaração de outro mega representante da tecnologia mundial, admitindo fracassos iniciais antes de sucessos fenomenais,  fica claro que este seja o ponto crucial a ser desenvolvido no Brasil. Minimizamos muitas vezes nossas conquistas internas e valorizamos sobremaneira qualquer resultados externo obtido.

Em outras, o que é mais grave, desprezamos conquistas ainda em evolução, freando e desarticulando grandes iniciativas.

Na verdade os “cases” de sucesso acima citados, só foram descobertos por aqui, porque receberam prêmios internacionais de magnitude planetária, pois se isto não ocorresse, estaríamos talvez sem reconhecê-los.

Quantos outros brasileiros criativos estão nesta condição ?

Difícil responder. Ainda citando 2013, o imunologista da USP, Professor Dr. José Alexandre Barbuto, com mais de uma centena de artigos científicos publicados nas maiores revistas do mundo, falou ao SustentaHabilidade, sobre uma vacina contra o câncer aplicadas casos de metástase e que correspondeu em 75% dos pacientes, alguns com sobrevida já superior há dez anos. Detalhes fundamentais : aprovada pela  ANVISA, sem contra indicação e com um custo de tratamento de US$ 1.500,00 por ano. Irrisório diante dos custos de uma quimioterapia tradicional.  E por que o SUS não utiliza para pacientes que se encontram em suas residências, seja por falta de leito ou de esperança de cura ? Porque não se obteve sucesso em 100% dos casos. E porque não é 100% ? Porque nosso “ Thomas Edison tupiniquim ” ainda não chegou aos 100%. Só isso ! Está na fase intermediária que precede a descoberta da lâmpada onde se diz,  “ agora já sei o que não devo fazer”.

Quando a cultura do “ direito de errar” do Vale do Silício se instalar no Brasil, certamente muitas soluções haverão de surgir para o nosso benefício, na saúde pública, nas grandes cidades ou no campo.

É esperar para ver.

Roberto Magraviti.

Economista, Consultor de Estratégias de Sustentabilidade da ADASP-Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo. Colunista do Instituto de Engenharia de São Paulo, Criador e Editor do Portal Sustentahabilidade.com, Diretor e Apresentador do Programa ADASP-SustentaHabilidade pela WEBTV.

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade.com pela WEBTV. Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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