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Duas boas notícias para o clima da Terra

Duas boas notícias para o clima da Terra

Duas boas notícias sobre o meio ambiente, especificamente sobre as mudanças climáticas, foram recentemente publicadas na imprensa. São parte de uma tendência que aos poucos parece se impor em todo o mundo, à medida que se torna mais conhecido o fenômeno das mudanças climáticas e suas consequências em médio e longo prazo sobre nossa civilização.

A primeira diz respeito ao aumento do uso de energias renováveis. O estado de São Paulo ocupa o segundo lugar em número de conexões de microgeração, tendo aumentado o número de pontos de 106 em 2015, para 711 em 2016 – uma expansão de 670%. No país já são 4.955 pontos de energia solar e 39 de energia eólica. A microgeração de energia distribuída é a geração de eletricidade através de uma central geradora com potência instalada menor ou igual a 100 kW, utilizando fontes de energia renovável, como fotovoltaica, eólica, biomassa, entre outras. Se até há pouco tempo a energia solar fotovoltaica era vista apenas em filmes e reportagens, atualmente ela começa a se tornar comum, incentivada pela resolução 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), possibilitando a autogeração de eletricidade com posterior desconto na conta de luz. O Ministério das Minas e Energia prevê que até 2024, cerca de 700 mil consumidores residenciais e comerciais deverão utilizar pequenas unidades de energia fotovoltaica.

O aumento do uso das energias renováveis é positivo para o país. A maior parte da eletricidade no Brasil é gerada a partir de fontes renováveis, como a água, o vento e a biomassa. No entanto, apesar dos reservatórios das hidrelétricas voltarem a ter água, uma parte significativa de nossa eletricidade – cerca de 8% – ainda provém das termelétricas movidas a óleo ou carvão mineral. Diminuir cada vez mais a dependência de combustíveis fósseis, emissores de gases poluentes, ajudará o país a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa.

Outro fato positivo divulgado pela mídia é a assinatura de um acordo mundial, visando eliminar progressivamente as emissões dos HFCs (hidrofluorcarbonetos). Estes gases passaram a ser usados em sistemas de ar condicionado, refrigeradores e sistemas de refrigeração para substituir os gases CFC (clorofluorcarbonos), que destruíam a camada de ozônio da Terra. No entanto, descobriu-se que o HFC tem capacidade de captar calor 14.800 vezes superior ao dióxido de carbono (CO²), contribuindo bastante para o aquecimento da atmosfera.

Segundo o acordo, a Europa e os Estados Unidos, que dispõem das maiores quantidades de aparelhos e sistemas de refrigeração e ar condicionado, serão obrigados a reduzirem suas emissões deste gás em 10% até 2019 e 85% até 2036, tendo como base os níveis de emissão de 2001-2013. Os demais países, incluindo o Brasil, deverão começar a diminuir as emissões deste gás a partir de 2024. Segundo os cientistas, a redução do HFC na atmosfera poderá evitar o aumento de 0,5ºC na temperatura medial global até 2100.

Fatos como esses mostram que tanto local como globalmente está aumentando a conscientização em relação ao meio ambiente. Se muitas vezes, como no caso do Brasil, a motivação é econômica (a autogeração de eletricidade é mais barata), isto é um indicativo de que as tecnologias limpas tendem a tornar-se mais econômicas e deverão substituir aquelas mais poluentes.

Texto: Ricardo Rose
Consultor, jornalista e autor, com especialização em gestão ambiental e sociologia. Graduado e pós-graduado em filosofia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias, trabalhando para instituições internacionais. Atualmente é consultor em inteligência de mercado no setor de sustentabilidade. É editor do blog “Da natureza e da cultura” (www.danaturezaedacultura.blogspot.com). Seu site profissional é: www.ricardorose.com.br

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Ricardo Ernesto Rose, jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias.

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