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Evidências, e o modelo fanático do não pensar brasileiro

Evidências, e o modelo fanático do não pensar brasileiro

Nossa coluna tem buscado lançar luz sobre a forma de pensar e avaliar os recursos brasileiros disponíveis e os resultados obtidos na aplicação destes recursos.

Muitas vezes exemplificamos estes “cases” através do reconhecimento e avaliação de algum recurso humano, preferencialmente midiático, facilitando uma linha de raciocínio metafórica para entendimento deste mecanismo. Neste diapasão pode-se concluir que, ao desprezarmos um talento que esteja visível (na mídia), poderemos incorrer em equívoco maior com outros recursos e talentos especialmente os menos perceptíveis.

Havíamos destacado, por exemplo, que o futebolista profissional Neymar, na época no Santos, muito criticado no início de 2013, estava produzindo com muita qualidade frente aos recursos disponíveis. Desfocar e desprezar os resultados que aquele profissional estava obtendo era fechar os olhos às evidências. E caso fosse para Europa o jovem iniciaria uma nova fase de reconhecimento do seu talento, pois os novos recursos disponíveis em um empresa europeia o levariam para resultados mais consistentes.

Felizmente é o que está acontecendo. No meio do ano passado, ocorreu a transferência. A seleção do Brasil venceu a Copa das Confederações, com ação decisiva de Neymar, após somente 15 dias de repouso do atleta, já morando na Catalunha. E agora no final de 2013, culminou com a declaração dos dirigentes do Barcelona (uma grande empresa), dizendo que “jamais houve um talento que tenha se adaptado tão bem em apenas 100 dias”.

É evidente. Recursos bem aplicados, resultado consistente.

Recurso, portanto é algo limitado por princípio. Sendo assim, existe recurso bem aplicado ou mal aplicado. O resultado é a consequência da combinação adequada dos recursos. Há ainda, uma terceira possibilidade, a pior de todas, denominado “ recurso não aplicado” , como viu-se nas prisões do Maranhão, palco recente de selvagerias. Pois dos R$ 50 milhões disponibilizado pelo Governo Federal para construção de presídios, arrecadados a fórceps por impostos, cerca de 50% foi devolvido para União, por falta de utilização.

A outra consideração a destacar, refere-se a que se destina o recurso e como foi aplicado.

Exemplificando, quando um hospital público é inaugurado, não haveria nada por celebrar, pois o dinheiro ou recurso foi tomado do cidadão (querendo ou não) para isto. Inaugurar é obrigação. Não inaugurar é crime !

No marketing há uma expressão perfeita para estas situações: qualidade higiênica. Um restaurante, por exemplo, não pode vangloriar-se junto a seus clientes que as alfaces são lavadas antes do consumo. É evidente que assim deva ser. Porém é loucura não lavar. Assim qualidade higiênica não se divulga, somente se pratica.

É óbvio, inocente e impossível contar com este bom senso no campo político, independente do partido que gerencie até um minúsculo município. Porém o que é estranho, nestes casos, é ver cidadãos aplaudir o resultado do exercício das obrigações higiênicas, desprezando evidências. Quem assim se comporta, deveria ao encerrar uma refeição num restaurante ir agradecer ao cozinheiro por ter lavado o alface evitando uma contaminação , ou agradecer aos faxineiros por não ter contraído uma bactéria no sanitário.

Recentemente a Revista Forbes listou, como de hábito, as pessoas ricas do planeta e lá encontramos 3 líderes religiosos brasileiros que juntos possuem R$ 3 bilhões de reais, oficialmente declarado à receita Federal, sem considerar eventuais outros bens em nomes de familiares.

Ou seja, possuem R$ 3 bilhões, em nome pessoal, e solicitam verbas a outrem para praticar a fé da igreja que dirigem.

Há algo de errado nisto ?? Seguidores dizem que não.

Ora, a forma como estes empresários obtiveram este resultados, oriundos do trabalho pessoal, mas dirigindo empresas que recebem doações de terceiros, deveria obrigar pessoas de fé verdadeira na Providência Divina a avaliar como estes dirigentes amealharam recursos de tal monta, aonde foram aplicados justamente por recebê-los gratuitamente.

No campo macroeconômico esta forma singela de avaliar resultados permeia outra parte da nação. O saldo foi pífio na balança comercial em 2013, inflação em alta e maquiada já que a Petrobras subsidia a gasolina. A própria Petrobras quebrada, investimentos em queda, resultados dramáticos na Bovespa, mas, muitos eleitores, especialmente os diplomados, esclarecidos e alfabetizados, defendem o impossível por defender e não mudam a postura.

Então ficamos assim, somemos os fanáticos no Brasil por clubes de futebol, acima do esporte. Por igrejas acima das religiões, por posições políticas acima das questões econômicas e sociais, e teremos uma parcela da população, acima de 50%, que faz opções de vida de forma cega, desprezando as evidências. Se este grupo, se reunir numa grande festa, que hipoteticamente coubesse no salão de baile 15 de Novembro, poderão juntos fazer uma segunda opção cega individual de repercussão para toda coletividade.

Portanto já passou da hora de colocarmos nossa individualidade de lado e contribuir para a construção de uma sociedade mais correta através de princípios técnicos e/ou éticos. Longe portanto de achismos e/ou clubismos.

Não importa o time em que se joga, a religião que professa ou cargo político que desempenha.

O que importa é : o recurso que tinha disponível, como e onde aplicou e claro, o resultado obtido.

Respeito às evidências !
Roberto Mangraviti
Economista, Consultor de Estratégias de Sustentabilidade da ADASP-Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo. Colunista do Instituto de Engenharia de São Paulo, Criador e Editor do Portal Sustentahabilidade.com, Diretor e Apresentador do Programa ADASP-SustentaHabilidade pela WEBTV.

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade.com pela WEBTV. Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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