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EVIDÊNCIAS: O modo brasileiro de não vê-las !

EVIDÊNCIAS: O modo brasileiro de não vê-las !

O brasileiro possui extrema dificuldade de lidar com as evidências.

Certas situações, mesmo que demonstrem cenários desconfortáveis e por mais claros que sejam, passam despercebidos, talvez por comodismo daqueles que preferem não acreditar naquilo que está sendo visto, que os obrigaria, em tese,  mudar de opinião.

Desta forma, por “não acreditar” nos fatos escancarados no dia a dia do país, criam versões fantasiosas  para justificar sua própria postura. Amparam-se em versões inverossímeis e desculpas esfarrapadas para justificar a própria inércia.

Este contexto comportamental que despreza os fatos, é cultural, levando portanto a desprezar recursos valiosos de toda a sorte.

Desprezam-se portanto as evidências.

E sendo um povo que não dá importância aos próprios valores, por conseguinte, dá importância menor ainda a forma e o modo que os resultados, oriundos destes recursos, foram obtidos.

Isto ocorre desde o tempo de Carmem Miranda, que fazia sucesso em Hollywood na década de 40, furando um bloqueio cultural oceânico e sozinha, sem apoio de leis de incentivo, tipo Rouanet, patrocínio de estatais ( dinheiro público) e outras mamatas atuais. Era uma época que ninguém sabia que existia um país chamado Brazil e nossa pequena notável, como era conhecida (nascida em Portugal) ousava desafiar padrões estabelecidos, cantando em português, uma língua que até hoje é desconhecida no mundo das artes e dos negócios. Esbanjando audácia, talento e reconhecimento internacional, foi vaiada ao se apresentar no Cassino na Urca no Rio de Janeiro, por ser considerada “americanizada”. Um absurdo monumental para uma artista que se apresentava com cachos de banana na cabeça, um dos poucos produtos além dela mesma, na nossa  pauta de exportação da época.

Um desprezo as evidências .

A recente morte do cantor Nelson Ned  coloca-nos  frente a frente com este modelo de comportamento novamente  Este artista, desprovido de qualquer beleza estética, se apresentou no Carneggie Hall  por duas vezes. Não estamos falando das casas de show brasileiras que fazem sucesso uma ou duas temporadas e somem. Estamos falando do Carnegie Hall, umas das maiores casas de espetáculo do mundo até hoje.

Muitos dirão “ Ahh , mas o estilo dele não me agrada “ .  Estamos focando aqui a falta de reconhecimento do talento, do recurso, e do resultado alcançado. Isto é imperdoável. Novamente sem incentivo ou apoio, atravessou o oceano e venceu, sozinho.

O mesmo ocorre com o escritor Paulo Coelho. Em janeiro de 2013 realizou-se o Fórum Econômico de Davos com presença dos maiores líderes mundiais. Este escritor brasileiro de renome internacional, goza de tanto prestígio que partilhou a mesa de almoço, de forma particular, com o ministro italiano Mario Monti, comprovando profunda intimidade com aquele premier .

Outros rebatem, “Ahh , mas o estilo dele  não me agrada“.  Há um valor monumental num escritor da língua portuguesa, novamente, pouco difundida no mundo dos negócios especialmente da literatura, partilhar tal intimidade com líderes mundiais.  Não houve durante o evento em Davos, nenhum político brasileiro mostrando tamanho entrosamento com qualquer liderança do primeiro escalão internacional.

As evidências são claras, nossos políticos não possuem reputação, são recebidos como líderes momentâneos de uma Nação, por exercerem um cargo representativo na atualidade, de um grande país consumidor, nada mais. Tomam emprestado esta imagem grandiosa do país, e fazem de conta que eles próprios são grandes.

Estes personagens atuam de forma a fazer parecer que, de alguma forma, podem influenciar  pelo talento e respeito individual, o  mundo das artes, literatura, política ou negócios.  Verdadeiros deuses fajutos.

Isto acontece porque, parte da sociedade, em algum momento despreza os  verdadeiros valores e produtos nacionais, que são muitas vezes  reconhecidos internacionalmente.  Pior ainda, valorizam resultados pífios e momentâneos, que jamais haverão de sustentar-se  no futuro, como se sustentam os artistas acima citados, mesmo alguns depois de mortos. E por conta desta inércia mental,  estacionam pensamentos em ilusões e miragens.  Despreza-se  portanto as evidências,  aprisionando parte dos cérebros que deveriam tocar o país,  em imutáveis posições retrógradas.

Um país que despreza seus valores e recursos, inclusive cultural, não poderá jamais iniciar o percurso para  transformar-se  numa grande nação, pois nossos clientes, importadores de nossos produtos, sejam commodities, serviços ou cultura, pagarão  por eles obviamente sempre um valor  inferior a nossa própria avaliação.

Está na hora de termos políticos da estatura e talento internacional de um  Nelson Ned a nos representar.

Negociadores e interlocutores reconhecidos mundialmente como um Paulo Coelho, para dialogar com líderes mundiais.

Vendedores como uma Carmem Miranda, a proteger nossa pauta de  exportação e o preços dos nossos produtos e commodities.

Aprendamos a olhar as evidências, e valorizar os reais resultados obtidos por empreendedores, homens e mulheres que exercendo uma profissão, cantor, cozinheira, seja lá o que for, mas com talento , venceram  nas respectivas  trajetórias e de forma espantosa, utilizando o trabalho como recurso.

Estes são os nossos melhores representantes, gostemos do produto delesou não, pois na melhor das hipóteses, são versões verdadeiras de si próprios e portanto venderam  corretamente seus serviços, sem aparentar que são donos  dos produtos ou méritos alheios.

Roberto Mangraviti

Economista, Consultor de Estratégias de Sustentabilidade da ADASP-Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo. Colunista do Instituto de Engenharia de São Paulo, Criador e Editor do Portal Sustentahabilidade.com, Diretor e Apresentador do Programa ADASP-SustentaHabilidade pela WEBTV.

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade.com pela WEBTV. Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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