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Exame de sangue para detecção de câncer em estágio inicial

Exame de sangue para detecção de câncer em estágio inicial

O Desafio

O grande desafio encontrado pelos mais experientes oncologistas de todo o mundo é a identificação do câncer logo no início de seu desenvolvimento, fase esta em que os tratamentos têm mais chances de sucesso. Diversos grupos de pesquisa vêm investigando métodos de diagnóstico precoce e, apesar da complexidade dessa missão, estamos finalmente começando a obter êxito.

As Pesquisas

No início de 2018, pesquisadores americanos publicaram um estudo na Science [1], descrevendo um teste sanguíneo capaz de diagnosticar oito tipos comuns de câncer (ovário, fígado, estômago, pâncreas, esôfago, colorretal, pulmão e mama), com até 70% de precisão. O método foi denominado CancerSEEK e se baseia na detecção de proteínas e fragmentos de DNA liberados pelas células tumorais na circulação.

Ainda em 2018, cientistas do Princess Margaret Cancer Center, no Canadá, desenvolveram um protocolo que permite a detecção e a classificação de diferentes tipos de câncer ainda em estágio inicial [2]. A novidade é que esse método se baseia na identificação de alterações epigenéticas, e não em mutações ou proteínas circulantes, como a maioria dos atuais métodos em estudo.

Epigenética diz respeito às modificações estruturais que ocorrem no DNA, sem alteração da sequência de bases nitrogenadas. Em outras palavras, são alterações na conformação da fita de DNA, que não geram mutações, mas ainda sim têm potencial para alterar a expressão dos genes e, consequentemente, influenciar no fenótipo dos indivíduos. São essas alterações epigenéticas que explicam, por exemplo, algumas diferenças encontradas em gêmeos idênticos.

Diversas alterações epigenéticas estão associadas ao aparecimento e desenvolvimento tumoral, e essas alterações podem ser únicas para cada tipo de câncer. Os cientistas propuseram, então, a avaliação de padrões epigenéticos para detectar e classificar cânceres em pacientes com a doença em estágio inicial, a partir de amostras de plasma.

A vantagem desse método é que a as chances de identificação precoce são maiores do que os métodos disponíveis até o momento, já que em muitos casos os níveis de proteínas alteradas na circulação ainda não são detectáveis, ou não há o acúmulo de mutações suficientes que possam indicar a presença da doença.

Os resultados foram promissores e abrem caminho para uma nova abordagem não invasiva para o diagnóstico do câncer.

Texto: Lidiane Torres
contato@sustentahabilidade.com

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Imagem: https://setorsaude.com.br

 

Referências:

[1] https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29348365

[2] https://www.nature.com/articles/s41586-018-0703-0

Artigos

Bióloga, bacharel em Genética e Bioquímica, com Mestrado e Doutorado em Genética Humana pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Atualmente é pesquisadora de Pós-Doutorado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Tem experiência como professora e palestrante desde 2009, e conta com diversos artigos publicados em revistas internacionais.

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