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Faltam locais de lazer nas cidades

Faltam locais de lazer nas cidades

Voltam as festas de final de ano e, como sempre acontece, milhões de pessoas dirigem-se ao interior e ao litoral para passar os feriados. Estradas congestionadas, acidentes; milhões de horas perdidas pelos turistas, deslocando-se de um lugar a outro. Os feriados seriam muito mais agradáveis, se este tempo perdido, sentado dentro dos automóveis, pudesse ser empregado passando mais algumas horas na praia ou se divertindo com amigos. Mas do jeito como funciona o turismo e o lazer no Brasil, isto dificilmente será possível.

Os problemas como já escrevemos uma vez nesta coluna, começam nas grandes cidades. Sem suficientes opções de lazer, principalmente na periferia dos grandes centros urbanos, os moradores das regiões metropolitanas ficam limitados a frequentarem shopping centers, cinemas, shows de música, algumas exposições e os poucos parques urbanos disponíveis. A exceção são as grandes capitais litorâneas do Nordeste, a cidade do Rio de Janeiro, Florianópolis e mais uma ou outra cidade de maior porte localizada no litoral, como Santos. No entanto, mesmo assim, a população que mora na periferia destas cidades, situada longe do mar, encontra seu principal lazer na praia. Mesmo porque, outros logradouros, quando existem, muitas vezes são mal cuidados e com pouca segurança, frequentados por assaltantes e consumidores de drogas.

Assim, basta surgir um feriado – o Reveillon e o Carnaval são festas muito especiais na cultura popular brasileira – para que grandes massas se desloquem para as praias. Uns, vindo de longe e utilizando as autoestradas, e outros, deslocando-se dentro da própria cidade ou região metropolitana, como ocorre no Rio de Janeiro, em Salvador e outras.

Se as cidades tivessem uma melhor infraestrutura, formada por clubes públicos com infraestrutura para a prática de esportes, piscinas, áreas de lazer e bosques – efetivamente em funcionamento e bem administrados – a população teria mais opções de lazer. Os clubes com piscinas públicas, nos quais os cidadãos passam a ter contato com os esportes aquáticos, são muito comuns na Europa e deveriam ser construídos em grande número nas cidades brasileiras – principalmente considerando o clima tropical do país, onde em sua maior parte é possível utilizar a piscina durante o ano todo.

Inúmeros fatores contribuem assim para estes imensos deslocamentos de pessoas a todo final de ano, que tanto contribuem para sobrecarregar a infraestrutura das cidades turísticas. Desde a falta de investimentos em lazer nas grandes cidades, passando pelo alto custo das viagens para outras regiões (passagens aéreas, alimentação e hotéis), até a incerteza da economia. A opção próxima e barata são então as cidades do litoral, principalmente nos estados do Sudeste e do Sul.

Apesar de continuarmos sendo uma das dez maiores economias do mundo, nossas grandes cidades em pouco melhoraram sua infraestrutura de lazer nos últimos 50 anos. Existem poucas opções,  principalmente para as pessoas de menor poder aquisitivo e os moradores das periferias. É só olhar para os rios e lagos localizados no ambiente urbano, para ver o descaso com estão sendo tratados pelo poder público. Lixo, esgoto, invasões, entulho de obras, focos de doenças. O lazer ocorre somente uma vez ao ano quando muitos extravasam sua revolta e decepção, à luz dos fogos, embalados pela música.

 

Foto: http://www.santosnaweb.com/

Autor: Ricardo Rose

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Ricardo Ernesto Rose, jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias.

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