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Fontes Energéticas, o Brasil e o futuro.

Fontes Energéticas, o Brasil e o futuro.

Em 2020, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o mundo estará utilizando 26% de energia renovável. E conforme destacou o Terra “nos próximos cinco anos, as fontes renováveis acrescentarão ao sistema 700 gigawatts (GW) – número que, segundo o órgão, equivale a mais que o dobro da atual capacidade energética do Japão”. Vale ressaltar que mais da metade desse aumento não virá das hidrelétricas, mas produzida através de eólica e solar. Se olharmos nossa publicação de 2014, pode-se concluir aspectos importantes sobre a visão brasileira neste contexto atual, e de futuro.

Matriz Energética

Deveremos em 2015 atingir algo em torno de 4% da matriz energética entre solar e eólica, numero bem superior ao inexpressivo 1% de 2013. Contudo, o destaque negativo fica para o crescimento absurdo da participação das termoelétricas (extremamente poluidoras) que praticamente dobraram a produção, em contrapartida da queda das hidroelétricas, que reduziram por conta da estiagem. Temos portanto, segundo a Agencia Internacional de Energia, o mundo todo apostando em energia eólica e solar. E o Brasil talvez atingindo 4% em 2015, de produção através destas mesmas fontes.

Qual será a nossa opção no futuro? Teríamos como produzir mais energia limpa através das hidroelétricas ?

Se considerarmos que 26% da nossa geração, ocorreu através de fonte térmica( poluidora ), resta-nos 2 caminhos para substituí-las: hidroelétricas de um lado, e solar/eólica/biomassa de outro.

Para substituir, em quantidade, a produção das térmicas, teremos que produzir 6 x mais que nossos índices atuais.

Mas parece difícil imaginar como atingir estes índices em 2020, se ainda estamos concentrando esforços para terminar Belo Monte … e mesmo que terminada no início do 2106, as linhas de transmissão não estarão preparadas para o transporte da energia para o sudeste.

Por sinal, linhas de transmissão tem sido um constante problema em nosso planejamento. Pois segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica, “no Nordeste, a falta de linhas de transmissão em três estados impede que a energia produzida pelo vento chegue à casa de milhares de brasileiros. Esse desperdício já virou prejuízo para o governo.”

Portanto há uma nítida sensação de falta de planejamento e/ou visão de futuro. Se tomarmos a reportagem do Bom Dia Brasil, há cerca de 60 dias como parâmetro, as perspectivas são um tanto desanimadoras. A Globo destacou que o governo brasileiro espera que em 2024, que as eólicas/solares responderão por 14,9% (uma estranha precisão com decimal). E a mesma reportagem informa que deveremos construir 22 (vinte e duas) novas barragens para outras hidroelétricas. Ok … o Brasil possui mais água doce que o resto do mundo, mas se as hidroelétricas estivessem funcionando hoje a contento, não teríamos dobrado a produção térmica. E vale lembrar que a construção de Belo Monte desmatou 1.793 km2 de florestas. Demorou décadas para sair do papel por conta deste inbroglio ambiental, e cabe-nos portanto perguntar, aonde serão construídas estas novas 22 usinas hidroelétricas? Vinte e dois novos desvios de rios? Vinte e duas remoções de mata nativa? De animais ?

O que fica claro é que o mundo caminha para um lado, e o Brasil para outro.

Enquanto escorregamos entre a falta da água e a produção de energia térmica, retomamos a construção de Angra 3 que ficou 20 anos parada, com tecnologia que tem sido desligada em outros países. Enquanto isso a França aposta na biomassa, gerando 17% da energia necessária do país. Quem será que está caminhando mais adequadamente ?

Autor: Roberto Mangraviti

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade pela WEBTV. Palestrante, Moderador de Seminários Internacionais de Eficiência Energética, Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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