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Fundo Mundial Climático Verde e o Brasil.

Fundo Mundial Climático Verde e o Brasil.

Encerrada a Conferência do Clima da ONU ocorrida em Paris, evidencia-se o que não é novidade para ninguém: o aquecimento global é visto SIM como um risco para todo mundo, com polarização entre dois grupos, países ricos e em desenvolvimento (eufemismo de pobres).

Esta polarização mostra de um lado, que os países ricos assumem o compromisso da constituição de um Fundo Climático Verde (Green Climate Fund) de US$ 100
bilhões para combater o aquecimento global, e de outro, cabendo aos pobres assumir formas voluntárias de contribuição. O fundo terá oficialmente um
objetivo: subsidiar energias alternativas e financiar programas de desenvolvimento ecologicamente corretos nos países pobres.

Obviamente que a questão econômica é fundamental, pois US$ 100 bilhões não é um trocado que se encontra na esquina, mas há que se destacar também o que está por traz  desta decisão econômica.

Da parte dos ricos, é justo que exijam dos pobres mais ação, até porque estes países já estão cooperando  financeiramente, por exemplo com o Brasil, no controle do aquecimento. Recente levantamento apresentado pela Folha de São Paulo comprova que desde 2011 o Brasil “doou” US$ 55,5 milhões para outros países em desenvolvimento no apoio à projetos ambientais. O que o governo brasileiro não explica é que 88% deste montante da benevolente cooperação, foi doado ao nosso país pela Alemanha e Noruega, para controle do desmatamento da Amazônia. Em suma, estamos fazendo “cortesia com o chapéu dos outros” como diz o ditado popular. Poderíamos concluir portanto que na Amazônia está tudo bem, e que com os US$ 6,66 milhões restantes (12%) da doção dos europeus é mais do que suficiente para controlar aquela importante região, pulmão do mundo. Certo ?

Absolutamente errado. O desmatamento continua solto no Brasil, especialmente na Amazônia, e lembrando que  60% das nossas emissões de CO2 (que geram o aquecimento), são decorrentes justamente de queimadas, até porque nossa indústria coitadinha, mais anda para trás do que para frente, nem Co2 está produzindo.

E de mais a mais, convenhamos, US$ 100 bilhões para os países ricos nem é tanto dinheiro assim. Pois antes da Operação Lava Jato, a Petrobrás estava disposta a investir no período 2012/2020,  US$ 400 bilhões no pré-sal. Ou seja buscar petróleo a 7.000 metros de profundidade, com custo exorbitante, com contratações duvidosas, produzindo energia suja, tendo outras importantes opções rentáveis de investimento em energias limpas.

Portanto o que está em questão também, na visão dos países ricos, é como os pobres conduzirão este tema na visão estratégica de futuro. Pois a questão do volume de investimento dos países ricos em países pobres é importante sim,  mas  desde que as escolhas e a transparência dos emergentes sejam nítidas.

É obvio que EUA e China são os grandes vilões do momento no aquecimento global, indiscutivelmente, e este é o outro lado da moeda. Mas contribuir com um fundo de forma “free” é a parte deles, e a nossa é gerar contrapartidas e comprometimento, até agora pouco nítidas, no caso brasileiro. Vale destacar neste contexto que a China é o maior investidor em energia solar no mundo, tendo em 2014 construído “duas Itaipus” em energia solar, sendo que respeitadas as questões de soberania nacional, seria uma excelente oportunidade de parceria ainda desprezada por aqui.

Em suma, pouco importa na questão climática, se um país é de primeiro ou de terceiro mundo, mas urge que suas escolhas sejam de primeira grandeza.

Observação: este texto foi escrito, antes da redação do acordo final da reunião de Paris, podendo portanto apresentar diferenças caso haja alguma mudança no texto final da ONU.

 

 

Foto: http://www.france-connection.com/

Autor: Roberto Mangraviti

contato@sustentahabilidade.com

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade.com pela WEBTV. Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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