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Geraldo Vietri: amplitude de uma Obra na Teledramaturgia Brasileira

Geraldo Vietri: amplitude de uma Obra na Teledramaturgia Brasileira

Geraldo Vietri, é um ilustre personagem da História do Teatro, do Cinema e da Televisão Brasileiro, que nasceu em 27 de agosto de 1927, no bairro paulistano da Mooca, tradicional distrito de classe média e classe média alta da Zona Leste da cidade de São Paulo.

Muito jovem, é contratado pelos estúdios Oceania, para escrever o roteiro e dirigir o filme Custa Pouco a Felicidade,que estreou em 1953 , com locações na Capital Paulista,  protagonizado pela sempre estrela Vera Nunes e pelo galã Paulo Geraldo, contando ainda com as célebres atuações de Sonia Greiss, Nestório Lips. Dionísio Azevedo e Wilma Bentivegna, em numero musical.

Essa aproximação com grandes valores do Rádio e da nascente Televisão , logo rendeu a Vietri um convite para iniciar na TV, como diretor-produtor do Teleteatro A Meia Luz, original de Patrick Hamilton ,que foi levado ao ar, no prestigiado Grande Teatro Tupi, com Dionísio Azevedo, Berta Zemmel, Fabio Cardoso, Wilma Camargo e Suzy Arruda no elenco.

Esse primeiro e manifesto sucesso televisivo, projetou a carreira audiovisual de Vietri, que preferiu não prosseguir na TV para voltar a se dedicar ao cinema, na direção de seu segundo filme : Dorinha no Soçaite, onde sua veia de autor-roteirista cômico apareceu com toda a intensidade e qualidade.

Nesta película, a estrela e amiga Vera Nunes, voltada a protagonizar, desta vez tendo como galã ,o nascente astro Fábio Cardoso,ao lado de um elenco magistral, exemplificado em nomes como Marly Bueno, Maria Vidal, Zé Fidelis, Turíbio Ruiz, Machadinho  e as apresentações musicais de Agostinho dos Santos  e Ângela Maria. 

Com o enorme sucesso deste filme, se fazia propicia a sua volta a Televisão, onde na TV Tupi, a partir de 1958, foi o diretor e produtor do TV de Comédia, onde trouxe textos de grandes comediógrafos brasileiros, como Luis Iglesias, Paulo Orlando, Paulo Magalhães . Genolino Amado,Jose Wanderley, Miguel Santos, dentre outros. Tornou-se um dos principais divulgadores da obra radiofônica do mestre fundador da SBAT diretor Oduvaldo Viana, por meio da exibição ,em teleteatro, de quatro  de seus grandes clássicos : O Feitiço (com Henrique Martins e Marly Bueno), Manhas de Sol (com Amilton Fernandes e Flora Geny) e O Homem que Nasceu duas Vezes (com Lolita Rodrigues e Percy Aires) e O Vendedor de Ilusões ( com Clenira Michel e Olney  Cazarre). Também se converteu em um dos maiores divulgadores da obra teatral de Abílio Pereira de Almeida, com a produção de seus peças do TBC na TV, como Paiol Velho e Santa Maria Fabril, contanto com um original elenco , como Leonardo Villar e Nathalia Thimberg.

Mas como um versátil mestre da produção televisiva, alternava esses textos nacionais com clássicos da literatura mundial, como Hedda Gaber de Ibsen , Cândida de Bernard Shaw e a revelação ao grande público de novos autores como Dias Gomes, com a versão televisiva de sua peça Pe de Cabra, em 1959 e com a primeira adaptação de obra do escritor Samuel Rawet na TV Brasileira. E diante de uma particular criatividade, Vietri também apresentava nos teleteatros, textos de sua própria autoria, como Este Mundo é dos Loucos e Apenas um Momento –que foi o primeiro trabalho da estrela Débora

Duarte na TV Tupi .

Nesta época , juntamente com os também saudosos Maria Thereza Gregori e Abelardo Figueiredo, introduz a dramaturgia no aplaudido programa Revista Feminina, com a apresentação da peça A Ponte de Waterloo de Robert Sherwood , protagonizada pelos astros televisivos Amilton Fernandes e Maria Dilnah.
E na década de 60 ,com o advento da telenovelas diárias, tão logo Geraldo Vietri tornou-se um requisitado diretor, brilhando em trabalhos como o lançamento da grande estrela Ana Rosa, na novela Alma Cigana, de Ivani Ribeiro (1964) ,bem como dirigindo os aclamados Sergio Cardoso e Rita Cleos,na novela O Cara Suja , de Walter George Durst (1965) , ambas sucesso de critica e de público.

Finalmente, em 1966,escreve para o Canal 4 a sua primeira novela diária, com o titulo “A Inimiga”, que contava com um talentoso elenco : Rosamaria Murtinho, Helio Souto, Jose Parisi, Juca de Oliveira, Lisa Negri, Marisa Sanches, dentre outros, acumulando também a direção desse bonito trabalho. E Vietri era fiel a atores que admirava :  Marisa Sanches, por exemplo fez oito  novelas suas, Marcos Plonka , nove novelas, o grande amigo de toda vida, e talentoso  cenógrafo Rubens Barra, fez cenografia de importantes clássicos, como Antonio Maria, juntamente com o também mestre Luigi Calvano e Nino o Italianinho.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Geraldo_Vietri
Em fins da década de 60, Vietri encanta e emociona o telespectador brasileiro com dois de seus maiores clássicos : Antonio Maria, com o “Rei da Ribalta” Sergio Cardoso e Nino o Italianinho , com os mestres televisivos Juca de Oliveira e Aracy Balabanian.. E em Antonio Maria, contou a importante ajuda de Walter Negrão, na co-autoria dessa produção.

Nos anos 70,reúne um histórico elenco em Vitória Bonelli-1973 com jovens talentos como Tony Ramos , Annamaria Dias e Carlos Augusto Strazzer , ao lado de mestres de nossa cultura como Graça Mello , Yara Lins, Dina Lisboa e Walter Forster.Alias uma grande característica da obra de Vietri é a revelação de grandes talentos, como por exemplo Patrícia Mayo, Denis Carvalho, Lisa Negri, Carlos Alberto Riccelli, dentre muitos outros.

E como não se lembrar da trilogia protagonizada por Jonas Mello Meu Rico Portugues-Os Apóstolos de Judas e  João Brasileiro, o Bom Baiano

Com o fim da TV Tupi, os dezesseis anos finais da carreira de Geraldo Vietri, ficaram divididos em inesquecíveis trabalhos, na Rede Bandeirantes (escrevendo magníficos textos para a grande Nair Bello em Dona Santa, premiada com o Trofeu Imprensa) , , TV Cultura, TV Globo, TV Manchete,e CNT-Gazeta, em parceria com a Associação Senhor Jesus de Valinhos.

Enfim sua obra com invulgar extensão e transbordante qualidade, é um panorama bem completo e rico da história da Televisão Brasileira, interagindo com nomes de imenso revelo, em todas as suas áreas, como por exemplo  Haroldo Costa, Geórgia Gomide, Tarcisio Meira, Gloria Menezes, Suzana Vieira, Jardel Filho, Sergio Britto, Cláudio Marzo, Janete Clair, Benedito Ruy Barbosa, Geny Prado.Heitor de Andrade, Vida Alves, Hugo Santana,Amandio Silva Filho , Egydio Ecccio, Sadi Cabral, Rildo Gonçalves, Wanda Kosmo , Fúlvio Stefanini, ,Márcia Maria, Laura Cardoso, Guy Loup, Elizabeth Hartmann, ,Cathy Stuart, Walter Stuart  , Ribeiro Filho, Márcia Real, Dorinha Duval, Antunes Filho, Jayme Barcellos,  Benjamin Cattan ,Canarinho, Lima Duarte, Miriam Mehler, Lourdes Mayer, Osmanio Cardoso, Raul Cortez, Norah Fontes, Ruth de Souza, Xisto Guzzi, Ruthinea de Moraes, Odete Lara, Armando Bógus, Sergio Galvão, configurando numa representativo e valoroso conjunto de profissionais em 5
décadas de  Televisão Nacional, que trabalharam com ele. .

Falecido em 01 de agosto de 1996, Vietri teve em 2010, sua magistral vida e obra foram biografadas pelo jornalista gaúcho Vilmar Ledesma, na Coleção Aplauso, no livro “Geraldo Vietri-Disciplina é Liberdade”

http://sustentahabilidade.com/padre-landell-de-moura-um-legitimo-pioneiro-brasileiro-na-historia-e-nas-ondas-do-radio/

 

Texto: Fábio Rajaili Siqueira
contato@sustentahabilidade.com

 

 

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Bacharel em Direito, Bacharel em Ciências Sociais e e pesquisador da história da televisão brasileira. É um dos fundadores do Jornal São Paulo em História.

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