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Gestão: Lula não leu o Poderoso Chefão.

Gestão: Lula não leu o Poderoso Chefão.

O livro de Mario Puzzo “O Poderoso Chefão” (The Godfather-1969), excluindo aqui os malfeitos do personagem central para focarmos exclusivamente em Gestão, é muito utilizado em cursos sobre visão empresarial, ou treinamentos de liderança.

Retratado no cinema numa obra prima magistralmente dirigida por Francis Ford Coppola,  parece que não fez parte das preferências cinéfilas dominicais da família Lula da Silva.

Tampouco parece que o Sr. Luis Inácio, tenha se debruçado por sobre o excepcional “romance verdade” de Mario Puzzo (leitura é um hábito que confessadamente desagrada o ex-presidente), que descreve minuciosamente os anos  30/40 da sociedade norte americana.

Ou talvez tenha ocorrido o pior, e Lula tenha lido e não compreendido, uma grande aula de liderança e gestão descritas no livro, foco deste texto,  e neste caso isto é fatal.

Pois, mesmo sendo um romance, o que nos faria presumir que seria uma obra ficcional, os ensinamentos de gestão e como tratar o poder descritos no livro, é certamente uma aula modernizada dos princípios de Machiavel, que servem de alerta para quem deseja flertar e viver inserido na política, sinônimo atemporal de poder.

A título de curiosidade, o personagem central, Don Vito Corleone (magnífica interpretação de Marlon Brando) foi baseado no notório gangster Lucky Luciano (Salvatore Lucania 1897-1962) que viveu nos EUA e posteriormente foi extraditado para Itália, onde veio a falecer em Nápoles, aposentado, de uma parada cardíaca.

Luciano é considerado por autores de estudos, como organizador do crime nos EUA, tendo vivido em Nova York, sendo que jamais os órgãos de controle e fiscalização norte-americanos, puderam comprovar os malfeitos do Sr. Salvatore Lucky Luciano Lucania, restando aos yankees prendê-lo por envolvimento menor com uma prostituta, para justificar sua expulsão dos EUA.

Finalizando esta bisbilhotice histórica para voltamos ao texto, a alcunha de “lucky” (sortudo), deve-se ao fato de ter sobrevivido a um grave atentado, assim como Don Corleone, base do romance “O Poderoso Chefão”, tema deste artigo sobre gestão.

Por sinal, o personagem do livro, não se chamava Corleone.

Seu verdadeiro nome era Vito Andolini, mas sendo um imigrante italiano que chegara aos EUA quando criança, (assim como Lucky Luciano),  adota o sobrenome Corleone, por ter nascido na cidade  homônima  no sul da Itália, e decide  assim por  assumir ou inserir, este apelido ao seu verdadeiro nome civil, para fins profissionais e políticos, afinal Don Corleone era amigo de senadores.

Contudo este personagem do romance, tinha  posturas de liderança muito avançadas, tanto que as áreas de Recursos Humanos quase ½ século após edição do livro, sistematicamente, utilizam a saga empresarial de Don Corleone, como sinônimo de gestão e liderança bem sucedidas.

Suas posições administrativas na gestão da “Famiglia  Corleone”, tinham características muito claras, como por exemplo, jamais passar uma ordem complexa, aos subordinados em grandes reuniões lotadas de infalíveis palpiteiros e puxa-sacos de chefe, comuns em algumas organizações.

Caso tivesse que fazer isso, a ordem era dada isoladamente ao seu Consiglori, que era na prática seu conselheiro e advogado, chamado Tom Hagem, uma espécie de Primeiro Ministro em alguns sistemas políticos, ou Chefe da Casa Civil em outros, e que na vida empresarial moderna chamamos de Mentor.

Cabia a Tom Hagen, avaliar a profundidade e prováveis reflexos futuros de uma decisão na empresa que pudesse ser equivocada, já que Don Corleone era um empresário cuidadoso, acionista de bancos, proprietário de comércio de azeite e outros tantos negócios lícitos.

E portanto cabia ao seu conselheiro alertar  o seu chefe, se deveria seguir ou não em suas atitudes empresariais.

Don Corleone mostrava assim, uma humildade dos sábios, condição essencial aos grandes líderes, pois submetia seus pensamentos e atitudes a uma aprovação prévia de seu mentor-conselheiro, que aí sim, após analisar as questões inclusive sob a ótica jurídica,  informava diretamente os departamentos operacionais dos procedimentos.

Desta forma, suas posições como líder, jamais, nunca e em momento algum eram debatidas de forma pública, em ambientes conflitantes ou comícios. Evitava assim reuniões inócuas, aparições desnecessárias e expunha seus pensamentos somente em petit comité .

Don Corleone, como homem de visão que era, criou e planejou Las Vegas no meio deserto de Nevada, adquirindo imóveis naquele Estado a preço de banana, para construir o grande centro comercial do agora super valorizado oeste americano, onde os cassinos compõe um negócio lícito naquele Estado, mesmo que a  partir disto,  prostitutas e traficantes fossem ali conviver, no entorno do poder.

Mas obviamente  não cabia ao Chefão  fiscalizar o ilícito, mas sim a Polícia.

Desta forma suas ações eram planejadas no longo prazo e de caráter duradouro, sendo suas ordens direcionadas somente à profissionais de extrema competência por ele escolhido, sem pressões do ambiente, que  geravam  inegáveis resultados de gestão eficientes e segura.

Porque como escreveu Machiavel na sua obra prima “O Príncipe”, um líder que sequer sabe escolher seus assessores, é um péssimo líder, equívoco impensável na conduta de Don Corleone.

Mas acima de tudo, Don Vito não era um homem de bravatas, ou de contar vantagens, ou ainda de aparições públicas com copos na mão e risos de bocas escancaradas, com guardanapos na cabeça à la Cabral,  pois  odiava publicidade.

E sendo assim exercia sua liderança como homem comedido e de fala suave, que era.

Afinal ele era Don …3 letrinhas … simples assim …  algo traduzido como “o cara” e  “ that’s it”.

Ou seja, um líder na essência maiúscula do ser,  pois exercer a liderança não significa impor ou gritar suas ideias, mas ser uma figura respeitada pelo grupo, dada sua forma de olhar os fatos sob a ótica de 360⁰, convencendo e silenciando opositores. Afinal ideias pré-concebidas e postura de “deus”, não combinam em nada com a figura de liderança.

E no romance, Don Corleone jamais foi “grampeado”… por motivo simples, jamais  falava ao telefone, para que não ocorresse interpretação equivocada das suas palavras.

Ou seja, o personagem Don Vito Corleone, excluindo na exemplificação seus mal feitos criminosos, e olhando exclusivamente sua face de gestor, era  um líder direto, que planejava sua ações desprezando o resultado no presente e  focado no futuro,  para obter um resultado  perene das ações.

Era comedido, e sabia escolher sua equipe, dirigindo ordens a seus executivos competentes, que coordenavam as atitudes práticas da equipe.

Um homem humilde a ponto de submeter suas escolhas ao seu mentor, mesmo tendo uma absoluta visão de 360⁰ sobre gestão.

E esta humildade era um retrato que se refletia na condução da sua vida particular, pois eram raras suas aparições públicas da sua vida privada, inexistindo assim fotografias destas ocasiões, que pudessem desconfortar o líder.

Assim como Lucky Luciano, a morte encontrou Don Vito Corleone no exercício pleno da aposentadoria, pois havia abdicado do poder aos sucessores, que preparou de forma planejada e competente… e sendo atingido por um enfarte fulminante já envelhecido, numa memorável cena de Coppola, enquanto regava placidamente um tomateiro, que se tornara afinal, seu único compromisso no final da vida.

Em suma tudo aquilo que Lula, como gestor, não conseguiu ser.

Texto: Roberto Mangraviti
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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade.com pela WEBTV. Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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