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Jean Wyllys não viveu na Rua Espírito Santo …

Jean Wyllys não viveu na Rua Espírito Santo …

José de Abreu tampouco jogou futebol na Aclimação, pelos  códigos de ética e regras de convivência social que defendem. Como sei? Ora é simples, basta seguir as pegadas do texto.

Nasci e cresci na Aclimação, assim como meus irmãos. A Rua Espírito Santo, era um enxame de meninos de todas idades. As meninas, que eu me lembre, eram raras (talvez minoria oculta) ou como não jogavam futebol à época, pouco eram vistas.

Mas a molecada das ruas de todo bairro, tinham um verdadeiro roteiro comportamental dentro e fora de casa, que deveria ser seguido a risca.

A Lei Número 1… “ Não Mexer com as Meninas“ válido tanto em casa quanto na rua. Era terminantemente proibido desrespeitar a irmã de um amigo ou vizinho. Muito menos procurar confusão nas ruas do Bairro, pois trariam complicações para “nossa rua”. Tais atitudes era certeza de “paulada” dentro e fora de casa. Me fez até refletir agora … será que tínhamos também uma espécie de Lei Maria da Penha social ? Talvez …

Quanta a  Lei Número 2 … “Regra do Cuspe”. Sim leitor, tínhamos até regra do cuspe, pois, todos nós cuspíamos no chão, para delimitar a área na rua. Como assim? Quando havia um entrevero durante um jogo de futebol, onde uma briga se avizinhava, cuspíamos no chão dizendo “não passe daqui”. Caso oponente não respeitasse a regra, o combate estava estabelecido. Era a nossa racá bíblica ( Mateus 5:22).

Mas cuspir no rosto, para aqueles moleques briguentos era INADMISSÍVEL.  Ofensa gravíssima, cabendo ao autor, o repúdio do grupo todo, por vezes afastado do convívio dos demais, diante de uma atitude tão abjeta. Cuspir dentro de casa ? Absolutamente impossível de imaginar, hipótese inexistente .

A Lei Número 3… “Justificar o Injustificável”,  exercida dentro da minha casa e com sabedoria aristotélica.

Certa feita, procurei justificar um vidro quebrado pelo amigo Silvinho pé torto, num jogo de futebol, onde a janela da Dona Elvira fora o alvo. Justifiquei-me para minha mãe dizendo que não havia sido o responsável pelo fato. Recebi resposta imediata… “ se estava no grupo é co-responsável”. Tentei a última cartada dizendo … “ o pai do Silvinho, que eu saiba, não disse nada para ele”. Mas a resposta de sabedoria impar da minha educadora foi mortal  … “quando quiser justificar algo, mire-se nos bons exemplos .” Esta lógica absoluta me fez ver a tolice que havia dito  e dali em diante,  todas as futuras conversas  e argumentos utilizados com  interlocutores vida afora.

Mas, Jean Wyllys continua sendo Jean Wyllys até hoje, infelizmente, pois continua dizendo que diante de uma ofensa cuspiria novamente em plena Câmara.  Zé de Abreu também continua sendo Zé de Abreu, pois flagrado em vídeo no delito, twittou impropérios no dia seguinte e ratificou o ato execrável em rede nacional no Faustão, 72 horas após. E portanto continua sendo Zé de Abreu.

Note caro leitor, que somente citei 3 regras básicas da  infância de minha geração, que o deputado e o ator global,  demonstram transgredir sem qualquer arrependimento ou peso na consciência.

Como todos tiveram mães, certamente zelosas, podemos afirmar que não jogaram futebol no Parque da Aclimação.

E que ambos não sobreviveriam, um dia sequer, na Rua Espírito Santo.

Autor: Roberto Mangraviti

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade pela WEBTV. Palestrante, Moderador de Seminários Internacionais de Eficiência Energética, Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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