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A Nova Lógica Mundial.

A Nova Lógica Mundial.

Recentemente o publicitário Nizan Guanaes, em artigo na Folha de São Paulo, confessou estar maravilhado com os projetos em andamento na universidade de Harvard (fundada em 1636), onde encontra-se em estágio avançado, uma pesquisa que visa a inserção de insetos na dieta humana http://www.harvard.edu/.
Interessante que o reconhecido publicitário, é citado naquela semana pela Revista Veja, http://veja.abril.com.br/ , como um dos clientes habitué do médium João de Deus, conhecido mundialmente pelas intervenções cirúrgicas espirituais na cidade de Abadiânia, em Goiás, atraindo para o minúsculo município do centro-oeste, super stars internacionais como, Oprah Winfrey, Paul Simon e Shirley MacLaine. Ou ainda personalidades políticas brasileiras de peso como, Paulo Skaf, Lula e Dilma Rousseff, entre outros.
Retomando o mote dos pesquisadores norte-americanos, vale justificar a curiosa lógica na orientação da pesquisa: criar massa equivalente num “rebanho” de grilos para alimentação humana, demanda 2.000 vezes menos água que um rebanho bovino e emite 100 vezes menos gases de efeito estufa, além de serem ricos em proteínas, vitaminas e sais minerais.
Curioso também lembrar que esta mesma Harvard, que estuda insetos, também estuda as questões da espiritualidade, glândula pineal e vida após a morte, liderado pelo Dr. Herbert Benson através do The Mind Body Institute Hospital http://www.massgeneral.org/bhi/. Ou seja, Harvard também bate uma no cravo e outra na ferradura, investindo ora na avaliação da crendice popular, ora na busca de tecnologias sustentáveis de ponta.
Talvez por este motivo que temos profissionais dedicados em visitar de forma rotineira Harvard, com a mesma frequência e naturalidade quanto Abadiânia. Ou seja, investem tempo tanto no olhar pragmático e sofisticado da ciência, quanto no oculto da espiritualidade.
A salada está completa !
Afinal qual a lógica dessas atitudes bipolares ?
Qual das duas pesquisas de Harvard é importante para a humanidade?
Na verdade, estas respostas pouco importam (neste momento), mas a linha de raciocínio que delas se desprendem.
Fica cada vez mais evidente que o pensamento linear e pragmatismo, cedem espaço para um novo olhar 360⁰, até em locais tidos com conservadores, afinal Harvard é mais antiga que todas as universidades somadas do Brasil. E se essa ruptura não fosse um fato, ninguém lá estaria investindo tempo (dinheiro) nesta tal glândula pineal ou ainda jamais iniciar-se-ia um estudo para organizar de forma eficiente a produção de grilos em laboratórios, ao invés de bois em pasto.
Pode-se supor inclusive, que um jovem consumidor deverá encarar o consumo de grilos com naturalidade, já que aos mais velhos, substituir uma picanha por grilos será um tanto difícil. Talvez (brevemente?) numa gôndola de supermercado, poderá surgir até um impasse quanto ao melhor tempero para acompanhar o seu invertebrado predileto: barbecue ou salsa? Nada mais normal ou corriqueiro.
Outro fator de destaque neste novo comportamento é a inserção da visão sustentável, que alavanca e orienta as pesquisas nas universidades e fora delas. Há um certo gatilho automático e natural por alternativas que atendam questões socioambientais, desprezando conceitos enraizados e transformando culturas ancestrais. Pois convenhamos, gafanhotos e outras iguarias sempre estiveram um pouco distante do ocidente, e parece-nos que estão sendo encarados com normalidade pelo lado de cá de Greenwich. Portanto, excluir o conceito globalizador da sustentabilidade no desenvolvimento de produtos e serviços, já significa marchar na contramão do futuro e da lógica.
E por falar em lógica.
O outro fator desconcertante é sobre a própria lógica.
Talvez nem ela, seja mais a mesma.
Diz o wikipedia “ Na lógica e na filosofia, um argumento é um conjunto de uma ou mais premissas, acompanhadas de uma outra frase, conhecida como conclusão. Em um argumento válido, o valor-verdade da conclusão é uma consequência lógica necessária das premissas. Sendo verdadeiras as premissas segue-se que necessariamente será verdadeira a conclusão”.
O problema que este tal “valor-verdade” nos dias de hoje, ganha conatações holistic (distante do esoterismo), um termo muito usual na língua inglesa por profissionais ligados a inovação e a criatividade, onde a interdependência dos fatores e sobreposição de novos valores sociais essenciais, pode desguar em múltiplos resultados.
Desde o século passado, a “verdade” sempre andou de mãos dadas com doses de interesses subjetivos e pragmatismos, mas o momento atual mostra-nos, cada vez mais, a visão linear sendo colocada em xeque. Nos novos tempos globalizados a “verdade social” é que gafanhoto rima com Harvard, que rima com meio ambiente, que rima com Abadiânia, tudo ao som de Paulo Simon.
O novo valor-verdade, talvez esteja muito próximo da expressão do Prof.Dr. Sergio Felipe de Oliveira, Mestre em Anatomia Funcional da USP:
“A ciência é importante para nortear somente uma estrutura da lógica. Portanto a verdade, não é exclusividade da ciência, mas está naquilo que te leva a fazer o bem”.
Convenhamos que, entender a lógica do comportamento humano, especialmente em sociedades heterogêneas, sempre foi uma tarefa muito difícil, sejam eles exigentes consumidores ou simples indivíduos. Portanto não sabemos daqui para frente, quantos seres humanos tupiniquins apreciarão grilos e gafanhotos, ou se outros tantos buscarão modelos de cura pouco convencionais, pois talvez estarão próximas da própria ciência.
Mas, será prudente prepararmo-nos para os novos tempos e não nos assustarmos se porventura dermos de cara, brevemente, com um grupo de estudantes em manifestação, agora pelo direito à vida dos… grilos. Afinal, coitadinhos. Esses bichinhos são criados e mantidos em cativeiro para o abate, desde bebezinhos.
É comprensível que as manifestações populares e as rupturas, sempre esteve e estará, interligado ao modus operandi dos mais jovens. O difícl será entendermos daqui por diante, as novas tendências e a lógica das coisas que estarão no centro dessas discussões.

Em tempo: aguarda-se ainda em 2014, nos EUA, um salgadinho de farinha de grilo já batizado como “Chirps”.

Roberto Mangraviti
Economista, Consultor de Sustentabilidade da ADASP-Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo, Colunista do Instituto de Engenharia de São Paulo, Editor do Portal Sustentahabilidade.com, Diretor e Apresentador do Programa SustentaHabilidade transmitido pela FLIXTV.

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade.com pela WEBTV. Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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