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Mangue: um berçário ameaçado

Mangue: um berçário ameaçado

Você conhece o mangue? Quando pensa em manguezais, já imagina caranguejos se enterrando na lama? Você irá se surpreender com o que vai encontrar nestes ambientes e com a importância da manutenção deste ecossistema.

O mangue é um precioso elo natural entre os ambientes terrestre e aquático, ocupando cerca de 70% do litoral tropical e subtropical do mundo. No Brasil, está entre os estados do Amapá e Santa Catarina. É um ecossistema florestal que sofre a influência da maré. Assim, quando a maré está baixa, a água doce do rio prevalece mas, quando a maré sobe, a água do mar se mistura com a água doce tornando-a salobra.
A vegetação do mangue é formada por árvores e arbustos tolerantes à elevada salinidade. Nas florestas de mangue também podem ocorrer palmeiras, ervas, gramas, epífitas, algas e uma variedade de espécies vegetais aquáticas. Assim como a vegetação, sua fauna também é altamente diversificada. É constituída por crustáceos (siris e caranguejos), moluscos (mariscos e ostras) e alguns visitantes que frequentam o ecossistema para alimentação, proteção, reprodução ou durante parte de seu ciclo de vida. Este é o caso de peixes, répteis (tartarugas marinhas, jacarés e algumas espécies de cobras), aves (garças, socós, beija-flores, corujas e gaviões), além de mamíferos (morcegos, macacos, lontras, peixe-boi marinho). Enquanto que os caranguejos fazem residência fixa no mangue, como o caranguejo-uçá que é amplamente comercializado. Os caranguejos do mangue podem habitar tocas escavadas no solo, cavidades no tronco das árvores ou até mesmo viver nas copas da vegetação.
Mangue1

Os manguezais tem papel fundamental na manutenção da qualidade do ambiente costeiro porque atuam na reciclagem de nutrientes, auxiliando na decomposição da matéria vegetal morta depositada no solo. Também servem de barreiras de proteção da costa litorânea e de estuários, protegendo essas áreas da erosão, além de poderem acumular carbono no solo, mitigando as emissões de gás carbônico e suas consequências sobre o aquecimento global. Ademais, os manguezais se destacam por serem verdadeiros berçários de organismos de grande importância econômica, como várias espécies de peixes e crustáceos marinhos que desovam no mangue, pois é um ambiente seguro de predadores e com muito alimento.

Entretanto, esse ecossistema tem sofrido com ações humanas já que provem diversos produtos e serviços ambientais. Estima-se que um quarto da região de mangue original já tenha sido destruído, em parte para a instalação de salinas e de fazendas marinhas para a criação de camarões, também devido ao barramento de rios, agricultura, urbanização e aquicultura. Os impactos negativos sobre este ambiente ocasionam não só degradação ambiental, mas também grandes perdas sociais e econômicas.
Mangue2

Segundo o código florestal brasileiro (Lei Federal 12.651/2012), os mangues são Áreas de Preservação Permanente, o que significa que são áreas naturais intocáveis, com rígidos limites de exploração, ou seja, não é permitida a exploração econômica direta. Vale destacar que, respectivamente, os artigos 8º e 9º desta lei preveem que “A intervenção ou a supressão de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente somente ocorrerá nas hipóteses de utilidade pública, de interesse social ou de baixo impacto ambiental previstas nesta Lei” e que “É permitido o acesso de pessoas e animais às Áreas de Preservação Permanente para obtenção de água e para realização de atividades de baixo impacto ambiental.”.

Por fim, é reforçada a importância de uma preocupação crescente com a conservação e utilização sustentável dos recursos naturais de manguezais.

Referências:
 Lacerda, L. D. Manguezais, ecossistemas-chave sob ameaça. Scientific American Brasil, pag. 76-82.
 http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/manguezal-mangue-meio-ambiente-degradacao-679371.shtml
 LEI Nº 12.651, DE 25 DE MAIO DE 2012.
Figuras:
 http://www.bombarco.com.br/comunidade/noticias/a-importancia-do-mangue-para-o-meio-ambiente
 http://www.laifi.com/laifi.php?id_laifi=3344&idC=61121#
 http://www.revistaea.org/pf.php?idartigo=1510

Autora: Karen P Castillioni

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Bióloga com Mestrado em Botânica pela UNESP.Desenvolvedora de estudos ligados à ecologia, conservação, sustentabilidade e impactos das alterações climáticas.

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