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Mata Ciliar: os cílios das águas

Mata Ciliar: os cílios das águas

A mata ciliar, também chamada de mata de várzea, vegetação ripária e mata de galeria, é a vegetação presente nas margens dos corpos d’água (nascentes, riachos, rios e lagos) com a função de proteção natural das águas. Assim como os nossos cílios protegem os nossos olhos contra a entrada de partículas como poeira e microrganismos, a mata ciliar protege os corpos d’água contra a erosão do solo e contra o assoreamento, auxiliando na manutenção da qualidade das águas (para todas as formas de vida que dependem delas, para atividades agropecuárias e para o abastecimento público).

As plantas da mata ciliar fixam suas raízes nas margens dos corpos d’água e cobrem a superfície do solo. Essa ocupação da mata ciliar permite a entrada da água das chuvas no solo e a retenção da terra das margens, fazendo com que essa água se infiltre no solo ao invés de ir direto para o rio. Essa infiltração evita as enxurradas, leva a água ao lençol freático, evita o ressecamento das margens, retém as partículas do solo e evita a erosão. Quando não há a presença dessa vegetação a água das chuvas promove um escoamento superficial do solo que carrega a terra solta para o leito dos rios causando o assoreamento. O processo de assoreamento dos corpos d’água vai soterrando o canal de drenagem e diminuindo a vazão de suas águas, causando prejuízos como dificuldades de navegação, enchentes e perda de habitats.

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A presença da mata promove a filtragem de resíduos de produtos químicos, como agrotóxicos e fertilizantes, e de resíduos sólidos evitando a poluição das águas, e ainda mantém um microclima da região e a fertilidade do solo. A mata ciliar é imprescindível para a conservação da biodiversidade, pois é berçário e habitat para muitos seres vivos e é corredor ecológico de ligação entre o ecossistema aquático e o terrestre, permitindo o fluxo gênico de espécies (como por exemplo, deslocamento de animais e dispersão de sementes). Sua supressão pode causar danos irreparáveis aos ecossistemas e à própria vida humana.

Devido à sua importância as matas ciliares são consideradas Áreas de Preservação Permanente (APPs) pelo Código Florestal Brasileiro e pelas legislações estaduais. Nessas áreas só é permitido o desmatamento total ou parcial da vegetação com autorização do Governo Federal. São proibidas construções e edificações (exceto obras públicas de infraestrutura como estradas, pontes e rede elétrica, quando não há alternativa locacional) e a exploração da madeira.

Como ilustra a figura abaixo, os limites das APPs às margens dos cursos d’água variam entre 30 e 500 metros dependendo de sua largura.

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Ao redor das nascentes as APPs devem ter um raio de 50 metros, mesmo que estas sequem em alguns períodos do ano.

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Atualmente, as matas ciliares, e consequentemente os corpos d’água, vêm sofrendo com a expansão das áreas de pastagem e lavouras, e com a menor proteção do Novo Código Florestal Brasileiro, o qual tornou a legislação menos restritiva, permitindo maior exploração e uso de áreas dessa vegetação por utilizar como critério de demarcação de APPs o leito regular do corpo d’água, desconsiderando a faixa que o corpo d’água atinge quando em nível de cheia, no caso de rios com pulsos de inundação (como por exemplo, os rios da Amazônia).

Referências:

Ministério do Meio Ambiente – MMA. Áreas de Preservação Permanente e Unidades de Conservação & Áreas de Risco: O que uma coisa tem a ver com a outra? Brasília, 2011.

Senado Federal. Em discussão: áreas de preservação permanente.

Vítor Galdino Ricci. Área de preservação permanente de cursos d´água e várzeas: ante os interesses de ambientalistas e empresários rurais. Trabalho de Conclusão de Curso: Engenharia Ambiental. UTFPR, 2013.

WWF-Brasil. O que são as matas ciliares?

Imagens:
Foto: Laís Nunes – Rio Mambu/Bacia Hidrográfica do rio Itanhaém, SP.
Aliança pela água
Água, sua linda

Autora: Laís Nunes
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Bióloga e pedagoga com mestrado em Biologia Vegetal (UNESP Rio Claro). Tem interesse nas áreas de ecologia, ecossistemas aquáticos, educação ambiental e sustentabilidade.

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