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O (des)gelo do Ártico

O (des)gelo do Ártico

O derretimento das calotas polares não é um assunto novo. De uma maneira ou de outra, todos já ouviram, em algum momento, sobre o gelo que se derrete e o nível do mar que aumenta. Opiniões dividem os cientistas se esse processo é natural ou causado pelo homem, mas uma coisa que não tem como negar: a diminuição do gelo no Ártico é real.

A temperatura do Oceano Ártico tem aumentado duas vezes mais em comparação ao resto do globo e as previsões mais catastróficas apontam um aquecimento de mais 8 oC até o final deste século. Esse aumento de temperatura, junto com o padrão de temperatura mais extremo, poderá causar um derretimento alarmante de 12% do gelo do Ártico por década.

Resumindo: se o derretimento continuar nesse ritmo, o Ártico não terá mais gelo em 2030! Sim, extremamente alarmante. Todos estaremos (ou planejamos estar) vivos em 2030. Os impactos dessa previsão assustadora vão da extinção de espécies já ameaçadas ao enfraquecimento ou até interrupção da circulação global oceânica.

Mas por que isso está acontecendo a uma velocidade assustadora? Os pólos da Terra são as regiões mais sensíveis para o clima do planeta. Em uma situação de aquecimento global, os pólos aquecem mais rápido do que as baixas latitudes. A principal causa deste fenômeno é o albedo; uma vez que o gelo derrete, a terra ou mar que era coberta por esse gelo fica exposta, e passa a absorver maior incidência de sol, causando um maior derretimento, gerando um efeito bola de neve (no sentido figurado) já que a neve, nesse caso, diminui cada vez mais.

Os efeitos do aquecimento global no Ártico incluem aumento da temperatura, perda de mar congelado e também degelo da Groelândia, extinção de espécies de animais extremamente vulneráveis, como os ursos polares, e também milhares de pessoas que vivem e sobrevivem nessa região. A liberação de metano e claratos (ou hidratos de gás) junto com o degelo também é uma preocupação, visto que isso aumentaria a concentração de gases na atmosfera, amentando o efeito estufa, e, consequentemente, o aquecimento global. Um círculo vicioso sem fim.

Imagens de satélite de estudos recentes mostram que parte da Antártica têm também perdido gelo por mais tempo do que o esperado. Nesse estudo, imagens ao longo de 2000km da costa oeste do continente antártico mostraram uma perda de aproximadamente 1000km2 de gelo – uma área equivalente a cidade de Berlin – ao longo dos últimos 40 anos. Apesar do gelo da Antártica diminuir de um lado do continente, mas aumentar do outro, essas novas descobertas ajudarão os cientistas a estimar, com melhor precisão, o aumento do nível do mar global.

Mas o que podemos fazer para diminuir esse processo? Bem, em primeiro lugar, reduzir o uso de combustíveis fósseis e toda atividade que libera gases do efeito estufa na atmosfera, uma tarefa nada simples, uma vez que são indústrias gigantes, com poder político imenso, gerando produtos de necessidade (ou que se tornaram de necessidade) para a população mundial. Mas o consumo consciente pode sim reduzir esse processo, a pressão para atividades industriais mais limpas, a conscientização das novas gerações, enfim, são tantas as ações que eu, você e a sociedade podemos tomar todos os dias que vai, direta ou indiretamente, desacelerar o processo de derretimento, mas elas só funcionaram se passarmos da teoria para a ação!

Foto: Jan Martin Will

Autora: Thayná Correia
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Mestre em Oceanografia, Física, Química e Geológica. Especialista em Estudos Ambientais para área petrolífera e Repostas a Derramamento de Óleo em Corpos Hídricos.

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