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O dilema chinês e o Brasil

O dilema chinês e o Brasil

Conforme índices da Organização Mundial de Saúde, a poluição da cidade de Xangai está 50 vezes acima do níveis considerados aceitáveis pelo órgão, assim como em outras cidades do norte daquele país. Paralelamente, é sabido que as áreas centrais e sul destinadas a agricultura, apresentam desertificação acentuada e o governo chinês aponta que 12 milhões de toneladas de grãos estão contaminados por metais tóxicos poluentes, causando um prejuízo para a economia do país de mais de ¥ 20 bilhões (o equivalente a cerca de R$ 655 milhões). Ou seja, as áreas industriais que impactaram decisivamente para tornar o país produtor de um PIB semelhante aos EUA estão em colapso, com resultados incalculáveis à saúde pública. As áreas agrícolas, que tornam China a maior produtora de produtos agrícolas do mundo apresentam também distorções perigosas. Considerando que apenas 10 a 15% do território chinês é adequado para o cultivo e pouco mais da metade não está irrigada, o bem estar de uma população de 1,2 bilhão de habitantes está ameaçado. A lição para o Brasil , sobre a necessidade de entender o crescimento sustentável , a partir do resultado obtido pelos asiáticos, deveria estar na ponta do lápis de qualquer planejamento minimamente responsável. Mas não está … seguimos desmatando a Amazônia, que é maior responsável pelas nossas emissões de CO2. Pouco investimos em energias limpas (solar e eólica) que não representam sequer 5% da nossa matriz energética. Optamos por retomar a construção de Angra 3 , ao mesmo tempo que a Alemanha se prepara para desligar todas nucleares até 2025. Sustentabilidade não é “moda” … representa segurança no presente e sucesso no futuro. O custo para combater os desequilíbrios na China, não estão avaliados, mas pelas perdas na agricultura, paradas da indústria (para conter a poluição), os custos da saúde pública, os gastos com importação de alimentos para suprir as áreas degradadas, nos apontam para números extratosfericos, maiores que o PIB de muitos países. Quando iremos nos preparar?

Autor: Roberto Mangravit

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade.com pela WEBTV. Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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