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O problema das balas perdidas

O problema das balas perdidas

A cidade do Rio de Janeiro é conhecida — além do carnaval e das belas praiais — pelos seus numerosos casos de bala perdida mostrados nos jornais. Ao ferir e matar pessoas inocentes — por exemplo, crianças na escola —, esse se revela um problema sério e que nos faz indagar se existe justiça no mundo. Contudo, existe ainda um outro problema — derivado desse —, muito menos visível, mas que merece consideração.

Quando levam ao óbito, as balas perdidas entram para a categoria (mais ampla) de mortes por causas externas. Estão incluídas aí, entre outras causas, acidentes de trânsito, acidentes em geral, suicídios, brigas de trânsito e outros homicídios.

Apesar da má fama do Rio de Janeiro, segundo dados do Ministério da Saúde, em 2010 Maceió foi a capital com a maior taxa de mortalidade por causas externas. Quando se considera somente a população masculina, tem-se que a cada 10 mil habitantes, 250,9 faleceram assim nessa cidade, mais do que o dobro do que no Rio de Janeiro (121,9).

Descontando, desses 250,9 homens, os 5 que cometeram suicídio, pode-se dizer que, no ano de 2010, 2,459% da população masculina perderam a vida de forma relativamente imprevisível. No entanto, é provável que a realidade seja ainda mais dura do que mostra a estatística oficial, pois esta leva em conta apenas os casos registrados.

É sabido que a taxa de mortalidade por causas externas varia significativamente com idade dos indivíduos, conforme se pode observar na tabela a seguir.

Além disso, da mesma forma que atinge mais os homens do que as mulheres, e é mais frequente em algumas faixas etárias, a TME por causas externas tende a ser mais intensa para certos grupos.

Considere-se, por exemplo, um homem, negro ou pardo, de baixa renda e baixa escolaridade, e que mora em um bairro violento. Essa situação é comum no Brasil. Suponha-se que o risco dessa pessoa de ir ao óbito por causas externas seja o dobro do risco médio da população. Suponha-se também que os números não se alterem de ano para ano. Desse modo, tem-se a seguinte tabela.

Assim, agora, ao nascer, esse indivíduo tem uma probabilidade de 94% de viver até os 15 anos, o que é mais razoável. Contudo, após atingir essa idade, ele terá apenas 30% de chance viver mais 10 anos, e cerca de 18% de chance de viver mais 15 e atingir os 30 anos. Isso sem levar em conta possíveis doenças.

Portanto, é provável que essa pessoa, ao esperar não viver por muito tempo, incorra em vários comportamentos de risco. Ele teria, poucos motivos para evitar o uso de álcool, de tabaco e de drogas, e seria pouco razoável se preocupar com doenças como o diabetes. Na verdade, seria mais lógico fazer o contrário.

Dessa forma, ainda que ele tivesse a sorte de sobreviver a todas as brigas, acidentes e balas perdidas que o acometessem durante a vida, é provável que teria ainda que lidar com doenças e com outras dificuldades derivadas desses outros comportamentos de risco. Ou seja, a bala o mataria mesmo sem o atingir.

Texyo: Rafael de Lima Monteiro
contato@sustentahabilidade.com

Imagem: https://www.ibtimes.co.uk/norris-green-shooting-liverpool-joe-thomspon-strand-352644
Dados: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/idb2012/matriz.htm

 

 

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