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O que alguns “artistas” (os que só reivindicam) não explicaram …

O que alguns “artistas” (os que só reivindicam) não explicaram …

A discussão sobre ser importante ou não a Cultura no Brasil, ser representada por um Ministério, deixa muito claro as manias de nos fixarmos em raciocínios engessados, onde as discussões ficam polarizadas nas aparências ao invés da essência. Defende-se legendas… partidos… posições … lamentavelmente esquecendo-se do fundamental … GESTÃO.

O estudo especialmente de legislação e contas públicas deveria permear as mentes daqueles que emitem pensamentos sobre estas discussões, pois suas opiniões impactam na sociedade e deveriam formula-las com conhecimento destas coisas, pois são formadores de opinião desta sociedade.

Os que opinaram publicamente sobre o MINC conhecem suas dotações orçamentárias? Ou suas realizações? Qual a evolução do quadro de funcionários nos últimos anos e as despesas? Enfim, qual informação técnica de que são portadores para emitirem opiniões? A discussão sobre ser ou não importante haver um Ministério da Cultura, é neste momento uma questão de GESTÃO e não mais de Cultura, e portanto opiniões são muito bem vindas se estiverem amparadas no quesito gestão.

Seguindo na mesma linha de raciocínio e considerando que a “grana” está a frente de tudo, nesta semana foi aprovado o orçamento do Governo Federal, com um rombo de R$ 170,5 bilhões de déficit.

Ou seja, o Governo “quebrou a banca” em 0,3% da produção de 100 milhões de brasileiros ativos, elevando a dívida para 70% do PIB. Sim senhor, imagina que você deve 70% daquilo que ganha? Ou que ainda, como cidadão que paga impostos, deve cerca de R$ 20 mil reais ao Governo ( sua parte no rombo) de uma dívida que não contraiu? E tem mais, as informações colhidas em reportagem da Folha de São Paulo, nos dão conta que o saldo devedor do BNDES para com o Tesouro Nacional (base março 2016) é de R$ 516 bilhões de reais. Pior ainda, que 93% deste valor tem vencimento entre os anos de 2027 e 2060. Ou seja, de certa forma, caro leitor você está endividado até 2060. E como se este montante astronômico não fosse por si só assustador (além do vencimento para até 44 anos), o Tesouro emprestou o que não tinha. Ou seja, tomou emprestado no mercado aquele montante a taxa selic (14%), cobrando somente metade do BNDES (7%), gerando um rombo absurdo de R$ 323 bilhões de reais na operação. Para ficarmos somente no exemplo da construção do Porto de Mariel, construído em Cuba, com financiamento do BNDES configura-se portanto o seguinte cenário:

– foi contratada mão de obra cubana em detrimento dos atuais 12 milhões de brasileiros desempregados.

– foi adquirida matéria prima no local, em detrimento da cambaleante indústria da construção civil no Brasil.

– 1 bilhão de dólares foram investidos naquele porto para retornar em 20 anos com juros subsidiados (neste caso doados) pelo Brasil, em prejuízo do Tesouro Nacional.

Temos então em última análise (sem mencionarmos, obras efetuadas na Argentina e outros países latinos e também na África) uma questão de Gestão que de tão ridícula torna-se desnecessária comentarmos.

Ou seja, estamos vivendo uma grave crise de gestão, e não há tecnicamente como “fechar” a conta dos R$ 170,5 bilhões, pois este recurso foi consumido e não volta mais, pois somente junto ao BNDES, como já mencionamos, há um rombo na operação de R$ 323 bilhões vencíveis até 2060.

Portanto é obvio prever que teremos cortes na Saúde, Educação etc…etc … a velha receita enfim, pois o dinheiro acabou.

Desta forma cabe a todo brasileiro, que tem todo o direito de emitir suas opiniões, o dever de entender a situação da coisa pública, mantendo o olhar na GESTÃO.

Alguém quer defender o partido A, B ou C … faça sim, mas com olhar nas contas públicas.
Outro que quer defender as questões sociais… ótimo, precisamos de brasileiros preocupados com estas questões, mas consideremos que temos que equacionar simultaneamente um rombo de R$ 170,5 bilhões.

Quantos aos “artistas” preocupados com a Cultura, é bom lembrá-los que antes de iniciarmos novos projetos culturais, certamente fundamentais para o país (como em qualquer parte do mundo), cada um terá que “doar” ou assumir que deve cerca de R$ 20mil reais para o Brasil, referente a dívida do Governo e para tal não podemos iniciar nova jornada sem quitarmos as velhas contas(como em qualquer parte do mundo).

Portanto, muita coisa terá que mudar e algumas escolhas deverão ser feitas, em detrimento de outras.
Haverá mudança na Previdência? Claro, o Brasil gasta em média 3 vezes mais que outros países com as mesmas características demográficas (com resultados pífios) obrigando assim a aumentar o limite mínimo de idade, pois o recurso foi mal utilizado, pelo BNDES, Petrobras etc…etc. Está tudo sob a mesma legenda: Gestão.

Portanto qualquer reivindicação que quisermos pleitear para a Saúde, Tecnologia, Indústria, Educação ou Cultura, vamos combinar uma coisa, saibamos que antes temos TODOS que pagar R$ 170,5 bilhões, certo?

E aí cabe uma triste lembrança, do velho ditado, “dinheiro não aceita desaforo”.

Com a palavra os “artistas “ …

Autor: Roberto Mangraviti
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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade pela WEBTV. Palestrante, Moderador de Seminários Internacionais de Eficiência Energética, Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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