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O velho e sujo turismo no litoral

O velho e sujo turismo no litoral

Finalmente terminaram as férias de verão. Milhões de pessoas voltam às suas atividades regulares – insanas diriam alguns – de luta pela vida. A natureza, por seu lado, também descansará e se recuperará dos impactos ambientais a que foi submetida. Por processos naturais serão gradualmente depuradas áreas afetadas pelo lixo, os esgotos, o consumo de água e a fumaça dos veículos de milhões de turistas, que a cada início de ano veraneiam no litoral brasileiro e causam estragos enormes.

Ainda está para ser avaliado o efeito destrutivo deste tipo de turismo predatório, que em grande parte se concentra no litoral brasileiro, principalmente na região Sudeste, desde os anos 1960. A afluência de visitantes – potenciais donos de imóveis na região – tem criado demanda para a abertura de loteamentos e construção de casas, nas mais diversas condições. Por falta de uma fiscalização eficiente na maior parte das cidades, várias áreas de floresta atlântica, mangue e restinga têm sido sistematicamente destruídos – muitas vezes com o conhecimento e participação de prefeitos e vereadores (como já escrevemos nesta coluna outras vezes). Uma eventual ação de órgãos do governo estadual, como as Secretarias de Meio Ambiente, é muito difícil e improvável, já que faltam recursos – além do fato de que muitas vezes governador e prefeito serem do mesmo partido e precisarem um do apoio político do outro.

O que acontece então é o que já conhecemos: as cidades litorâneas se estendem por vários quilômetros, destruindo ecossistemas. Esgoto poluindo rios, mangues e lagoas; lixo colocado em valas sem qualquer tipo de isolamento, contaminando o solo e as águas que correm para os rios e destes para o mar. Muitas vezes este tipo destruição está longe da cidade, escondido da opinião pública e de uma eventual fiscalização; atrás de algum trecho de mata ou de mangue.

Aliás, a ilegalidade ainda é uma característica de muitos “empreendimentos” no litoral brasileiros. Corte de vegetação original em áreas de preservação; remoção da areia de praias isoladas para uso em aterros; e ocupação ilegal das partes baixas de morros; ainda são fatos corriqueiros, apesar de todo esforço da polícia florestal e de outras (poucas) autoridades responsáveis pela fiscalização de tais ecossistemas.

Exemplo disse tipo de atitude perniciosa é retratado em artigo recentemente publicado pelo jornal Folha de São Paulo. Segundo o diário, o esgoto de 31 mil casas localizadas no litoral paulista, principalmente na região Norte, não tem ligação com o sistema de coleta da Sabesp; companhia que trata os efluentes. Desta maneira, o esgoto destas residências acaba sendo descarregado em córregos e rios que deságuam no mar – muitas vezes correndo pela praia, local frequentado por banhistas. Segundo a Sabesp, um volume de cerca de 17,7 milhões de litros de esgoto ainda não tem tratamento regular. Tal fato se dá, segundo a agência, porque os proprietários não fazem a ligação do esgoto de suas residências na rede coletora, preferindo descarregar o líquido em algum córrego ou rio.

Por outro lado, falta fiscalização para forçar os proprietários deste imóveis a conectarem- se ao sistema de coleta da Sabesp. Permanece, no entanto, o fato de que este tipo de criminoso ambiental eufemisticamente ainda é chamado de turista.

“Ricardo Ernesto Rose é jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental. Atua desde 1992 no setor de meio ambiente e energia, na área de marketing de tecnologias. É diretor de meio ambiente da Câmara Brasil-Alemanha e editor do blog www.danaturezaedacultura.blogspot.com

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Ricardo Ernesto Rose, jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias.

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