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Os jovens e suas escolhas profissionais. Um mundo repleto de descontentamento.

Os jovens e suas escolhas profissionais. Um mundo repleto de descontentamento.

Pois é! Você estudou, estudou muito, estudou mais um pouco. Não parou. Desde pequeno você foi preparado para a vida. Inglês, espanhol, técnicas de negociação, informática, métodos de diagramação. Depois veio a graduação. Pós. Alguns ainda foram além: cursaram mestrado, doutorado e pós-doutorado. E tudo isso antes de completar 35 anos.

Mas mesmo tendo um currículo a prova de tudo e de todos você está descontente. Não entende o motivo, só sabe que algo ainda não se encaixa e tem a impressão que não está sendo suficientemente valorizado.

Pois é meus amigos e amigas. Sabe de quem é a culpa? De seus pais.

Claro que esse humilde artigo criará um certo descontentamento dependendo do leitor. Mas infelizmente não temos como fugir disso. A culpa de jovens tão descontentes é dos pais.

A geração Y, aquela que nasceu entre início da década de 80 e a metade da década de 90 foram criados com a noção que tudo era possível, tudo era alcançável e que todo era merecido só porque sim.

Bastava ser “meu” filho para que tudo fosse alcançável. Isso se explica muito quando pensamos numa frase que todos nós já ouvimos um dia: “Farei com que meu filho tenha uma vida melhor que a minha. ” Pensemos: Os pais da geração Y passaram por mudanças profundas na sociedade nas décadas anteriores. Foram crises econômicas, instabilidade política, falta de liberdade. As mulheres entraram no mercado de trabalho. Os homens sem saber lidar com isso. Obviamente todos esses fatores influenciam.

Falo por experiência própria. Quando você tem um filho, você tenta blindá-lo da melhor maneira possível. Infelizmente nem sempre estamos juntos e nesse momento a nossa blindagem não serve para absolutamente nada.

A geração anterior, a geração X, os nascidos após o baby boom da segunda grande guerra, cresceu, passou pela fase hippie, tiveram ideais e esqueceram-se dos mesmos para fazer carreira no mercado. Viu surgir computador pessoal, a internet, o celular, a impressora, o e-mail, etc. e viu seu mundo mudar muito. Grande parte da Geração X chegou aos 30, 40 anos e descobriu que para juntar meio milhão e dar entrada, com sorte, num apartamento modesto que irá pagar até seus 60 anos, o caminho é longo e o preço é alto, bem alto, às vezes impagáveis.

Notam a diferença? A geração X busca estabilidade e a geração Y busca satisfação.

 

Expectativa x Realidade

Os jovens da geração Y acreditam que a vida é fácil e que bastam traçar um plano que leve a satisfação pessoal para que a sua realidade seja incrível.

Para esses jovens a realidade é igual a meta. Infelizmente esquecem de avaliar que a vida está mais para uma montanha russa. Na vida não estamos sozinhos e há outros indivíduos envolvidos. Todos possuem metas, motivações e ambições. E as vezes (ou muitas vezes) nossas metas e ambições são barradas por metas e ambições de outros.

Essa geração possui altas expectativas. Traçam metas como serem diretores de uma grande multinacional antes dos trinta. Viajar o mundo todo logo após sair da faculdade. Casar e ter uma família de comercial de margarina.

E para eles não basta simplesmente ter tudo isso. Tem que postar. Tem que mostrar. É a geração da selfie. É selfie no restaurante, selfie em frente de uma grande obra arquitetônica, selfie na loja, no show. E mostra a casa e o carro.

Muitos são GYPSYS – Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y. Mas antes foram Yuppies (é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda – Wikipédia)

Para exemplificar melhor, vou utilizar uma série de desenhos criados pelo brilhante Tim Urban, que usou a personagem Ana para explicar o porquê de tantos jovens profissionais da geração Y estarem infelizes.

 

Ana – a incompreendida por todos

Essa é a Ana. Ana está lá, desfrutando da sua vida de GYPSY e ela gosta muito de ser a Ana. Só tem um pequeno detalhe a atrapalhar:

Ana está infeliz.

Mercado de Trabalho

Ana é ambiciosa. Pensa grande.

Mercado de Trabalho

Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, Ana quer viver seu próprio sonho.

Para os jovens Y além de prosperidade econômica eles precisam se sentir realizados em suas carreiras.

Mas outro ponto é mais problemático:  A geração Y se acha especial. Mas não são e por isso vivem uma ilusão.

Na cabeça de Ana passa o seguinte pensamento: “mas é claro… toda a gente terá uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de uma forma incomum, a minha vida profissional irá destacar-se na multidão”.

Esse pensamento leva a geração Y a outra ilusão. Para esses jovens o mercado de trabalho é definido pela escolha de uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excecional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir. Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:

Mercado de Trabalho

Como já dito anteriormente o mundo não é uma equação de 1 +1 = 2. E infelizmente as carreiras também não. Carreiras sólidas e com alto valor são realizadas através de sangue, suor e lágrimas. Não se tornam profissionais incríveis antes dos 30 e poucos anos.

Mas para os GYPSYs isso é um erro.

Aliás, esse perfil é tão fora de propósito que um professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, Paul Harvey, um expert em GYPSYs, fez uma pesquisa onde conclui que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”.

Por conta desse aspecto psicológico, Harley sugere algumas perguntas para os candidatos a alguma vaga e que sejam da geração Y: “Você geralmente se sente superior aos seus colegas de trabalho/faculdade, e se sim, porquê? ”. Ele diz que “se o candidato responde sim para a primeira parte da pergunta, mas tem dificuldade com o porquê, talvez haja um senso inflado de grandeza. Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Eles são levados a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de autoestima durante a infância, que eles são de alguma maneira especiais, mas na maioria das vezes faltam justificações reais para essa convicção”.

E como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de graduada,  Ana encontra-se aqui:

Mercado de Trabalho

Mas Ana, nossa personagem, possui extrema ambição e obviamente um toque exagerado de arrogância (o que para ela não se trata de arrogância, visto que Ana realmente acredita que é especial) faz com que ela crie expectativas extremamente altas logo após sua formatura da graduação. Mas a cruel realidade não condiz com suas expectativas, fazendo com que Ana se sinta constantemente infeliz.

Mas como tudo pode piorar, os GYPSYs estão sendo atormentados. Afinal em época de rede social quem tem a melhor foto é rei.

Para Ana há colegas, familiares e conhecidos que estão ótimos: possuem uma carreira incrível, com a vida repleta de sonhos alcançados.

Mas a vida no mundo virtual nada mais é que uma versão manipulada e melhorada de si mesmo. Mas Ana não consegue visualizar isso. Para ela o mundo ainda não a valorizou. Mas valorizou todos os demais.

Mercado de Trabalho

Essa geração não consegue valorizar seus pequenos passos. Suas vitórias diárias.  É uma geração que se deixa influenciar por achismos e percepções.

Mas também é uma geração ambiciosa, focada e empenhada. Talvez falte a eles liderança. Aquela pessoa que os faz entender suas qualidades, mas que não faz com que o jovem se sinta especial.

Se você faz parte dessa geração pare e respire! Não se sinta frustrada. Você está no caminho, mas infelizmente esse caminho do sucesso não suporta atalhos. Entenda também que o sucesso para você não é o mesmo sucesso para seu amigo. O sucesso é pessoal.

E na dúvida sigam algumas dicas de Tim Urban:

  • Continue ferozmente ambicioso. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico pode ainda estar incerto, mas ele aparecerá com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que goste.
  • Pare de pensar que é especial. O fato é que, neste momento, você não é especial. É outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Mas você pode tornar-se especial trabalhando arduamente por muito tempo.
  • Ignore todas as outras pessoas. Essa impressão de que o relvado do vizinho está sempre mais verde não é de hoje, mas no mundo da autoafirmação via redes sociais em que vivemos, o relvado do vizinho parecer um campo florido maravilhoso é normal. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas e às vezes até um pouco frustradas, assim como você. Mas se apenas se dedicar às suas coisas nunca terá razão para invejar os outros e se sentir frustrado.

 

Outros textos da autora:

http://sustentahabilidade.com/sustentabilidade-nao-e-so-ambiental-ela-tambem-deve-ser-economica/

http://sustentahabilidade.com/adequando-seus-projetos-as-praticas-de-gestao-e-fazendo-uma-boa-gestao/

http://sustentahabilidade.com/gerenciamento-de-um-projeto/

http://sustentahabilidade.com/gestao-de-ti-aplicacao-do-pmbok-em-todos-os-setores/

http://sustentahabilidade.com/os-viloes-da-boa-gestao-os-erros-mais-comuns-das-empresas/

 

Texto: Camila Gagiardi
contato@sustentahabilidade.com

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Economista, designer de Interiores graduada, com especialização em Controladoria, Auditoria e Finanças pela FGV e em Gestão de Projetos. Professora dos cursos de pós-graduação na área de arquitetura e executa consultorias administrativas, financeiras e organizacionais.

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