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Os vilões da boa gestão: Os erros mais comuns das empresas.

Os vilões da boa gestão: Os erros mais comuns das empresas.

Segundo dados do Sebrae cerca de 1,2 milhão de novos empreendimentos formais são criados anualmente. Desse total, mais de 99% são micro e pequenas empresas e Empreendedores Individuais (EI). Esse dado nos remete a um volume de praticamente dois terços das ocupações existentes no país, seja na forma de contratação ou subcontratação, seja na forma de empreendedores solitários.

Esses números nos proporcionaria um nível de otimismo avassalador. Isso se não viesse acompanhado de outro dado: De cada 10 empresas, seis fecham antes de completar 05 anos. Segundo pesquisa elaborada pelo IBGE, das 694,5 mil empresas abertas em 2009, apenas 275 mil (39,6%) ainda estavam em funcionamento em 2014. Após o primeiro ano de funcionamento, mais de 157 mil (22,7%) fecharam as portas.

Essa pesquisa não realiza uma avaliação mais complexa e não entra nas variáveis que nos demonstram os motivos pelos quais as empresas não conseguem se manter.

Nesse artigo, tentarei explanar os principais motivos pelos quais isso ocorre, bem como citar casos de sucesso. Sim! Muitos empreendedores atualmente conhecidos por seu nível de sucesso profissional já fizeram parte desses índices.

 Empresa não sabe onde quer ou como quer chegar

A maioria dos profissionais que em algum dado momento resolvem apostar em uma nova idéia, um novo conceito ou em um novo produto, não realiza pesquisas sobre a área de atuação: os clientes, o mercado e seus concorrentes. Não se preocupa em avaliar normas necessárias, sindicatos envolvidos ou formas de produção. Isso ocorre pois muitas vezes esse empreendedor não conhece formas de gestão e não aplica uma das mais importantes estratégias: O planejamento.

O planejamento é de extrema importância para um novo projeto. E a abertura da sua empresa é um novo projeto. Não se deve abrir uma empresa sem um plano de negócios. Ele será o seu mapa de percurso. O plano de negócios responderá à pergunta que é realizada no primeiro momento: Vale a pena abrir meu negócio?

O plano de negócios irá ajudá-lo a concluir se sua ideia é viável e a buscar informações mais detalhadas sobre o seu ramo, os produtos e serviços que irá oferecer, seus clientes, concorrentes, fornecedores e, principalmente, sobre os pontos fortes e fracos do seu negócio (Caso haja interesse, segue o link para o manual do Sebrae: PLANO DE NEGÓCIOS).

Elaborei meu plano de negócios, tive a resposta satisfatória a minha indagação. Então isso significa que obterei sucesso em meus negócios?

Não!

Agora que você iniciou sua empresa é que os maiores problemas começam.

 

A gestão de recursos

Um dos maiores problemas é relacionado a gestão de recursos. Durante minhas palestras ou aulas, ao utilizar a palavra recurso, muitos ouvintes já assumem que o recurso é apenas financeiro. Isso é um engano. O recurso é algo mais amplo e nos remete a recursos financeiros e também humanos.

Para uma boa execução dos recursos financeiros, você terá que aprender uma disciplina básica, mas que muitos empreendedores desconhecem: a matemática. Parece besteira, mas segundo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, 70% dos alunos que se formam no ensino médio não possuem conhecimento básico na disciplina. Você precisa conhecer sobre cálculos. Fato! Precisa saber de estatística, projetar, planejar.

E falando em recurso financeiro, não esqueça: lucro não é salário. Salário é salário e nesse caso, recebe o nome de Pró-Labore. O lucro da sua empresa deve ser utilizado para Open Doors, a reserva financeira que o seu escritório precisa ter para superar os períodos com faturamentos menores e para reinvestimento. As despesas da sua casa devem ser pagas pelo seu salário, não pelo faturamento da empresa.

Em relação aos recursos humanos, além de saber sobre as leis, sindicatos, responsabilidades, normas, tem que saber lidar. Um dos maiores problemas observados em empresas que fecham é a falta e entrosamento entre equipes, entre funcionários e líderes. Não esqueça: Você é o responsável por dar o ritmo e a cara da sua empresa.

Outro ponto importante quando falamos sobre recursos humanos diz respeito a contratação. Ao iniciarmos um negócio é comum a contratação de parentes e amigos. Não se engane: Uma pessoa de confiança no campo pessoal não é necessariamente um empregado adequado; a contratação pode criar problemas de gestão para a empresa, já que a demissão de amigos e parentes vira um problema pessoal.

Na contratação, lembre-se que o barato pode sair caro. Se você não possui expertise em uma determinada área e tem que contratar, tenha em mente que profissionais bons não são baratos. Mas leve também o custo do retrabalho. Imagina se você precisa contratar um coordenador de fábrica, mas não está disposto a pagar um salário alto e prefere contratar o profissional com menos experiencia, mas com o salário mais baixo? Você terá que avaliar variáveis como quanto tempo o colaborador trará resultados satisfatórios, como ele lidará com problemas na produção, qual o nível de capacitação dele em relação ao trato com os funcionários e demais áreas.

Não esqueça é o seu futuro profissional dedicado a um novo negócio. A gestão de recursos tem que ser realizada com máxima cautela e dedicação.

 

Transparência e Conhecimento

No início de qualquer empresa não esqueça que os colaboradores também assumiram um risco ao trabalhar para você. Ora, se cerca de 25% das empresas encerram as atividades ainda no primeiro ano de funcionamento, qual a chance desse colaborador não receber seu salário e seus direitos? Ele de certa forma também está investindo na sua idéia. Logo, seja transparente. Um dos problemas que me deparo nas consultorias organizacionais é a falta de transparência. Obviamente você não precisa contar todas as decisões para todos os colaboradores, mas as que impactam a todos, desde um novo produto, um novo cliente ou até algum problema deve ser compartilhado.

A falta de transparência nos remete a outro problema: a gestão do conhecimento.  A gestão do conhecimento é um dos problemas mais comuns nas empresas. Como deter o conhecimento suscitado e obtido pela empresa e repassá-lo ao funcionário recém contratado ou que ainda não domina a informação? Realize workshops, cursos e treinamentos, tenha o costume e principalmente um método de documentar o que foi aprendido para que sirva de consulta. As empresas perdem muito tempo tentando recuperar o conhecimento que se foi com um membro que saiu. Esse tempo pode ser economizado se toda informação que gere conhecimento for devidamente catalogada.

Agora imagine se você não possui uma boa gestão do conhecimento, logo não consegue ter uma gestão transparente e o resultado pode ser interpretações erradas que, muitas vezes, geram fofoca e atrapalham o clima da empresa e o contentamento dos funcionários.

 

Produto ou serviço sem qualidade = Cliente insatisfeito

Caso seu produto ou serviço não consiga obter vendas satisfatórias, reveja seus processos. Entenda. Mesmo que você chegue à conclusão que o problema é competência de algum colaborador ou área, você tem que assumir que houve erro de processo da aquisição de recursos humanos. Ou o processo seletivo não foi bem definido, ou você não quis investir o suficiente nessa área.

Seu produto precisa ter qualidade e preço justo. Ao lança-lo no mercado não pense em como você vê seu produto, pense no seu cliente. Não adianta frases do tipo: Se eu compro, meu cliente também compra. Você precisa entender de forma integral o seu mercado consumidor.

Infelizmente, uma pratica comum no Brasil é a retirada de custos do processo produtivo, sem a análise da necessidade daquele custo. A regra é clara: Se aquele custo fizer a qualidade do meu produto ou serviço cair, eu não posso retirá-lo ou reduzi-lo, pois ele é essencial a minha qualidade.

Para a sua empresa se manter, ela precisa de lucratividade. Você somente terá lucratividade com um bom processo de gestão.

Sem processo de gestão, a chances de você fazer parte dos 25% é enorme. Logo, vale a pena investir na aquisição desse conhecimento.

 

E apesar da dificuldade…

Se ainda assim, sua empresa não der certo no primeiro momento, lembre-se que grandes empreendedores passaram por todos esses dessabores, antes do sucesso:  Steve Jobs, da Apple, Richard Branson, da Virgin Group, Edimilson Amorim, da Brasil Uniformes, entre outros.

Jobs, começou seu império em 1976 no seu quarto. Em 1983 já era um sucesso graças ao computador pessoal, porém graças a problemas de gestão e principalmente relacionados a liderança ele se viu afastado de seu negócio. Quando Jobs retornou se deparou com vários produtos lançados sem sucesso. Teve que se reinventar. E deu a volta por cima.

Branson era péssimo com gestão. Tanto que chegou a apostar em mais 100 companhias, e boa parte delas não vingou. Aquela que o levou ao sucesso foi a loja de discos, que depois se tornou uma gravadora, a Virgin Records.

E nosso Brasil é bem representado em termos de erros e acertos de gestão: “O meu grande erro foi não ter feito um planejamento dentro da minha realidade. Subestimei os riscos e supervalorizei as possibilidades de ganhos, que não aconteceram. Era otimismo demais. ” Essa é a explicação dada por Edimilson Amorim para o difícil início da Brasil Uniformes, confecção de uniformes profissionais. Após entender suas necessidades e limites, e reestruturar a gestão de sua empresa, a Brasil Uniformes passou a faturar 1,2 milhões de reais.

Ou seja, não adianta abrir seu próprio negócio achando que não terá mais chefe, que fara seus horários e que ganhará muito. Todo começo é difícil. Mas é infinitamente mais sinuoso para quem não se prepara.

 

Texto: Camila Gagliardi

Outros textos da autora:

Mercado de trabalho atual: adequações para o jovem trabalhador.

Diferenças salariais entre mulheres e homens … Quem é o vilão?

 

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Economista, designer de Interiores graduada, com especialização em Controladoria, Auditoria e Finanças pela FGV e em Gestão de Projetos. Professora dos cursos de pós-graduação na área de arquitetura e executa consultorias administrativas, financeiras e organizacionais.

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