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Perda de biodiversidade pode comprometer economia

Perda de biodiversidade pode comprometer economia

Reuniram-se em Hyderabad, na Índia, representantes de 192 países mais a União Européia, para a 11ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, chamada de COP-11. O objetivo principal do encontro é discutir e acordar um plano estratégico para reverter o processo de destruição de ecossistemas e a perda da biodiversidade em todo o planeta. A velocidade da perda de espécies é cada vez maior o que deverá provocar um número cada vez maior de impactos no clima, na agricultura, na pesca e no próprio fornecimento de recursos naturais para a economia mundial.

Um dos pontos principais da reunião foi estabelecer mecanismos, para que seja possível levantar recursos financeiros para colocar em prática os 20 compromissos assumidos pelos países, durante a COP-10 realizada em 2010 em Nagoya, no Japão. Naquela ocasião foi acordado que até 2020 o planeta deverá reduzir em 50% a perda de seus habitat naturais e
florestas; recuperar 15% das áreas já degradadas; e colocar sob proteção 17% das zonas terrestres e 10% das regiões costeiras e marinhas. Além disso, comprometem-se todos a reduzir os impactos da atividade humana sobre áreas e recifes e corais.

A situação da biodiversidade em todo o mundo só está piorando. Os países, em sua grande maioria, pouco ou nada investem na proteção dos recursos naturais. Mesmo entre aqueles que criam novas áreas de proteção, são poucos aqueles que destinam recursos para uma efetiva gestão – caso de muitas áreas de proteção permanente (APPs) no Brasil, sem qualquer tipo de controle. Em todo o mundo a perda da biodiversidade já é tão grande que segundo o Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) metade dos pântanos em todo o planeta desapareceram no século XX – 20% das áreas entre 1980 e 2011.

O Estudo “Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade” (The Economics of Ecosystems & Biodiversity), preparado em 2010 pelo PNUMA, constatou que a degradação ambiental provoca prejuízos de até 6,5 trilhões de dólares por ano para a economia mundial. A destruição de solos férteis através de queimadas ou de uma agricultura predatória; a exaustão dos recursos hídricos, pela superexploração da água ou de sua poluição; são impactos que terão um custo
financeiro muito alto para serem revertidos. Como exemplo concreto, basta ver o custo da limpeza do Rio Tietê, na grande São Paulo, que já absorveu mais de três bilhões de dólares desde seu início, em 1992. Assim como precisamos recuperar o rio, teremos necessidade de recuperar o solo agricultável, a floresta que equilibra o clima e vários outros ambientes.

Chegaremos inevitavelmente a um ponto em que quase não haverá mais ecossistemas naturais; em que as espécies terão sido em parte dizimadas. Então precisaremos desenvolver tecnologias que substituirão os serviços ambientais que eram proporcionados por estes sistemas naturais. No entanto, os custos destas tecnologias – ou até sua efetividade – ainda
são desconhecidos em parte. Além disso, existe o aspecto moral: nossa espécie não tem o direito de, mesmo a título de sobrevivência, destruir grande parte das outras espécies vivas. Ainda temos tempo, se todos os países contribuírem, para evitar que os serviços ambientais se tornem cada vez mais caros.

Ricardo Rose é jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Atuadesde 1992 nos setores de meio ambiente e energia, na área de marketing de tecnologias. É diretor de meio ambiente da Câmara Brasil-Alemanha e editor do blog “Da natureza e da cultura” (www.danaturezaedacultura.blogspot.com)

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Ricardo Ernesto Rose, jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias.

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