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Plantas carnívoras

Plantas carnívoras

Sim, plantas carnívoras realmente existem! Muitos de nós já as imaginamos em histórias obscuras como devoradoras de exploradores inocentes perdidos na floresta ou já a vimos em filmes de terror. Mas a realidade dessas plantas é muito mais fascinante do que qualquer criação de Hollywood. Este artigo pode ser uma boa oportunidade de se quebrar a mistificação feita sobre essas plantas.

Em sua maioria, plantas carnívoras são plantas pequenas e delicadas que capturam pequenos artrópodes em geral (insetos, aranhas e centopeias), animais aquáticos microscópicos, moluscos (lesmas e caramujos), e ocasionalmente pequenos vertebrados, como sapos, gecos, pássaros e roedores. Portanto, a menos que você tenha o tamanho desses animais, elas lhe são perfeitamente inofensivas.

Para que uma planta possa ser considerada carnívora, é preciso que ela tenha a capacidade de: atrair, prender e digerir formas de vida animais. Porém, algumas poucas espécies de plantas são capazes de utilizar proteína animal diretamente como fonte de nitrogênio. Essas plantas digerem os organismos capturados, absorvendo os compostos nitrogenados que eles contêm, assim como outros compostos orgânicos e minerais, tais como potássio e fósforo. Essas plantas normalmente ocorrem em áreas onde os nutrientes do solo são tão baixos e onde o habitat é geralmente muito ácido que a flora luta para sobreviver.

As plantas carnívoras aprisionam suas presas de vários modos. Inicialmente, elas precisam de algum mecanismo para atrair as presas às suas armadilhas. Muitas carnívoras as atraem da mesma forma que as flores atraem seus polinizadores: com vívidas cores e odor de néctar. Outras se aproveitam de padrões de luz ultravioleta em suas armadilhas para atrair insetos voadores. Além disso, a atração de suas presas pode ocorrer pela luz refletida pelas numerosas gotículas de mucilagem (presentes nas armadilhas de Byblis, Drosera).

Uma dessas formas é ilustrada pela drósera (Drosera rotundifolia), que é uma planta muito pequena, com minúsculos pelos (tricomas) com um cheiro doce e uma substância pegajosa localizados na superfície das folhas. Quando o inseto é capturado na substância pegajosa (mucilagem), os tricomas dobram-se para dentro até que a folha finalmente se curva ao redor do inseto. Os tricomas secretam pelo menos seis enzimas, as quais, junto com as enzimas produzidas pelas bactérias, digerem o inseto. Essas enzimas são muito fracas, não causam dano algum à pele humana ou qualquer animal de médio à grande porte. O mesmo mecanismo de secreção é encontrado em outras plantas carnívoras, incluindo a dionéia (Dionea muscipula) e a pinguicula (Pinguicula grandiflora).

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                                                        Drósera (Drosera rotundifolia)

 

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                                                           Dionéia (Dionea muscipula)

 

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                                                  Pinguicula (Pinguicula grandiflora)

 

Outras plantas têm feito adaptações surpreendentes, transformando seus corpos (folhas) em poços para atrair e afogar as vítimas. Ascídios são folhas altamente especializadas, inchadas e ocas, como se fossem urnas, com uma entrada no topo e líquido digestivo no interior. Essa forma está presente em alguns gêneros como: Cephalotus, Darlingtonia, Heliamphora, Nepenthes, Sarracenia. As presas caem no líquido digestivo, aonde se afogam e são digeridas; seus restos se acumulam no fundo, às vezes enchendo a armadilha até o topo.

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                                                                Nepenthes truncata

 

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                                                                      Heliamphora

 

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                                                                        Sarracenia

Apenas algumas espécies não produzem suas próprias enzimas, portanto, dependem de bactérias para a digestão de suas presas, um processo bem mais lento. Por isso, conhecendo a digestão que as plantas carnívoras realizam, não podemos dizer que estas são plantas “meio vegetal, meio animal”. Como qualquer planta, elas realizam fotossíntese. As presas são nada mais que um complemento alimentar, uma fonte de nutrientes para compensar o que as raízes não obtêm do solo. Esta adaptação chegou a tal ponto que essas plantas nem sequer toleram solos ricos em nutrientes.

No Brasil, existem mais de 80 espécies diferentes (exceto pela Austrália, o Brasil é o país que mais tem espécies carnívoras no mundo). Elas crescem principalmente nas serras e chapadas, e podem ser encontradas em quase todos os estados, sendo mais abundantes em Goiás, Minas Gerais e Bahia.

 

Figuras:

http://www.treehugger.com/natural-sciences/nature-blows-my-mind-weird-deadly-carnivorous-plants.html

http://www.lifetremedal.eu/archivo-fotografico/archivo-fotografico-pn-picos-de-europa/

http://www.tudosobreplantas.com.br/asp/plantas

http://cpphotofinder.com/nepenthes-truncata-504.html

http://cpphotofinder.com/heliamphora-x-heterodoxa-x-ionasi-2584.html

Referências:

Eichhorn, Susan-E., Ray-F. Evert, and P. H. Raven (2001). Biologia vegetal. 6º edição. Editora Guanabara Koogan, p. 709.

http://www.ladin.usp.br/carnivoras/Portugues/first.html

Autora: Karen P Castillioni

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Bióloga com Mestrado em Botânica pela UNESP.Desenvolvedora de estudos ligados à ecologia, conservação, sustentabilidade e impactos das alterações climáticas.

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