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Produtividade, e o trabalho infantil.

Produtividade, e o trabalho infantil.

A produtividade é a maior proteção legal trabalhista de um povo.

A criação de leis que protejam o trabalhador é fundamental, mas nunca devem estar desassociadas da produtividade, para que não seja inócua e custe para sociedade mais do que o benefício que deveria gerar.

A Coréia do Sul nos anos 60 tinha índices de produtividade equivalentes aos dos trabalhadores bolivianos, e inferiores ao Brasil à época. Hoje a Coréia do Sul aproxima-se da produtividade norte-americana, e o Brasil mantém basicamente, o mesmo índice após mais de meio século corrido.

A Veja São Paulo, mostrou uma interessante matéria sobre a importação, por parte de famílias brasileiras (paulistanas) de mão de obra das Filipinas, para trabalho doméstico. Qualificação? Falar inglês. Sim, inglês, pois é uma forma de criar um “curso doméstico” da língua para os filhos, sem sair de casa. Vale destacar que todos os direitos trabalhistas são pagos da mesma forma, ou seja, o custo é o mesmo, mas a mão de obra é mais qualificada.

Note-se que este movimento ocorre após a longa discussão no Congresso brasileiro sobre o direito trabalhista das domésticas, necessidade legal indiscutível. Mas se não vier acrescido de maior produtividade da classe envolvida, o maior prejudicado é o próprio funcionário.

Destaco que no programa dominical da TV Record (03/01/2016), a emissora mostrou o abuso do trabalho infantil, no interior de São Paulo, em olarias e pequenas empresas produtoras de tijolos cerâmicos. Contudo em duas das reportagens mostradas, as crianças eram ou filhos ou netos dos proprietários. Mas na forma da lei, é considerado trabalho ilegal. Há uma longa discussão nesta matéria a ser desenvolvida, pois claro que a criança deveria estar na escola. Mas cabe a pergunta: há uma escola adequada perto do local onde o ilícito trabalhista foi praticado? Caso haja, a qualidade do ensino da escola atende a necessidade da criança? Devemos ainda avaliar: pode a família prescindir, economicamente, do trabalho do menor? Ou seja, a situação econômica do país permite a empresa empregar recursos (salários+encargos) na contratação de mão de obra necessária? Como a emissora enxerga o trabalho infantil no campo as artes? Teriam sido Sandy e Jr explorados por Xororó? E os irmãos Mirosmar e Welson (Zezé de Camargo e Luciano) explorados pelo Sr. Francisco de Camargo,  retratado como herói no filme “ 2 Filhos de Francisco”?

dois filhos de francisco_2

O timing da matéria da TV Record, apresentava os familiares dos menores como malfeitores, sem considerar todos os fatores altamente discutíveis acima expostos, além dos fatores culturais na formação dos menores.

Sim culturais, por que não? Pois este autor sente-se honrado de ter recebido do seu primeiro chefe, meu Pai, dono de um restaurante na Aclimação em 1963 (São Paulo), a vassoura como primeira ferramenta aos 7 anos de idade, para varrer diariamente o salão. Aos 9 anos fui “promovido” a lavador das xícaras de café que se empilhavam, especialmente nos almoços de domingo, no final de expediente. Aos 11 anos, já entregava pizzas caminhando nas noites paulistanas e aos 13 anos carregava feixe de lenha escadaria acima, para alimentar o forno.  A convicção da importância na formação do meu perfil profissional é inegável, na opinião inclusive de terceiros. Tenho a maior gratidão possível no mundo aos meus Pais, por terem assim conduzido minha infância, mas hoje eles seriam tidos como agentes ilegais. Será que eles mereceriam esta chancela? Será que evoluímos desde os anos 60 como a Coréia do Sul, para termos leis trabalhistas de primeiro mundo, produtividade boliviana e oportunidades venezuelanas? Com a palavra a sociedade brasileira …

Fotos: Youtube – Filme 2 Filhos de Francisco

Autor: Roberto Mangraviti

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade pela WEBTV. Palestrante, Moderador de Seminários Internacionais de Eficiência Energética, Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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