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Reciclagem de resíduos eletrônicos

Reciclagem de resíduos eletrônicos

A oferta mundial de produtos eletrônicos, impulsionada pela grande produção na China, é cada vez maior. Segundo um relatório da Universidade das Nações Unidas, somente os setores de telecomunicações e TI (tecnologia da informação) já respondem por 7,7% do produto mundial, de acordo com dados da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico). No Brasil, o setor de TI movimentou 85 bilhões de reais em 2010, e a tendência é de rápido crescimento. Existe um esforço em aumentar a participação destas tecnologias no PIB nacional – que atualmente é de 3,5%  – para 5,3% até 2020.

Apesar de ainda representar uma pequena parcela da economia brasileira, os equipamentos eletrônicos já estão gerando impacto considerável. Dados da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicação) informam que até outubro de 2011 existiam 232 milhões de celulares no Brasil. Somente nos últimos 12 meses, foram vendidos 37,2 milhões de aparelhos. Dos equipamentos tirados de circulação, somente 2% a 3% são corretamente descartados; os outros 97% ou 98% restantes são guardados ou descartados no lixo comum, sem qualquer tipo de cuidado. Outro problema são os computadores – cuja quantidade até 2012 deverá chegar a 100 milhões de unidades –, dos quais as versões mais antigas, não tendo mais utilidade, também acabam no lixo.

Estudos realizados na Alemanha informam que os celulares e os computadores contêm em média 65 diferentes elementos químicos, dentre os quais 30 metais. Durante o processo de reciclagem com modernas tecnologias – muitas delas já disponíveis no Brasil – pode-se recuperar das placas mais de 95% dos metais preciosos, como ouro e platina, e 90% dos outros metais. Mesmo que estas quantidades de metais preciosos sejam mínimas por equipamento, dados empresa alemã Umicore informam que em 2007 foram utilizadas 85 toneladas de ouro e 31 toneladas de platina para fabricar celulares e PCs em todo o mundo. Desde então, as quantidades de equipamentos vendidos só vem aumentando a cada ano.

Além de consumir 3% do ouro e 13% da platina extraídos anualmente, a indústria das telecomunicações e TI também utiliza 15% da produção anual de cobalto e uma quantidade significativa da prata, cobre, titânio, índio e de vários outros, além de metais raros como tório, gadolínio, lutécio e térbio, que escasseiam cada vez mais na natureza.

A reciclagem de equipamentos de comunicação e TI deverá aumentar, depois de ter sido assinada a Lei de Resíduos Sólidos, em dezembro de 2010. Fabricantes, importadores, distribuidores, revendedores e consumidores – toda a cadeia de produção, distribuição e consumo – serão obrigados a encaminharem equipamentos fora de uso para empresas ou instituições, que façam a correta reciclagem e destinação dos componentes. A supervisão deste processo caberá às prefeituras e seus agentes.

Qualquer tipo de atividade envolve o uso da eletrônica; não podemos mais prescindir de celulares, computadores e outros equipamentos do tipo. No entanto, sua fabricação envolve grande uso de recursos naturais, além dos metais. Por isso, é urgente a estruturação de sistemas de reciclagem, permitindo a recuperação de uma parte dos recursos naturais e evitando a poluição do meio ambiente pelos resíduos perigosos.

“Ricardo Ernesto Rose é jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental. Atua desde 1992 no setor de meio ambiente e energia, na área de marketing de tecnologias. É diretor de meio ambiente da Câmara Brasil-Alemanha e editor do blog www.danaturezaedacultura.blogspot.com

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Ricardo Ernesto Rose, jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias.

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