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Religião diminuí crescimento econômico ?

Religião diminuí crescimento econômico ?

Recente matéria publicada na mais conceituada revista de negócios brasileira, Exame  versão online,  destaca estudo de Harvard, sobre o impacto do Ramadã, período de jejum islâmico, na economia dos países muçulmanos. A matéria informa que esta celebração religiosa reduz em quase 1% o PIB daqueles países. E o título da matéria é uma afirmação que não deixa dúvidas : Religião diminui crescimento econômico !

Há cerca de três anos, a mesma Harvard havia declarado que a religião facilita o processo intuitivo, conforme pesquisa com mais de 800 voluntários e publicada pela revista científica  “Journal of Experimental Psychology . Este trabalho coordenado pelo psicólogo Amitai Shenhav, indicava que pessoas mais racionais tendem a crer menos em Deus !

Os dois estudos da renomada universidade, ratifica a incessante busca do ser humano em tentar “medir” o impacto da religião, quer seja por motivos econômicos ou psicológicos.

Como leigo no campo da psicologia, bacharel em economia, porém  PHD nas experiências de vida, este antigo desafio dos pesquisadores, quase uma obsessão, utiliza uma visão extremamente técnica, como toda pesquisa séria deve ser,  para ratificar porém  aquilo que na prática, day by day , comprova-se no mais simplório olhar humano.

Na verdade não há nenhuma pesquisa de Harvard, Princeton ou Yale sobre o efeito na segunda feira em empresas brasileiras, quando há derrotas do Corinthians ou Flamengo, no domingo. Mas qualquer conhecedor de “chão de fábrica”, sabe que as lideranças das linhas de produção são orientadas para controlar os ânimos das gozações entre os operários. Certamente será um dia de baixa produtividade, além de risco de desentendimentos com eventuais repercussões negativas até durante semanas. Não precisamos de Harvard para isto. No final do expediente fica comprovado que houve queda na produção. Logo, poderíamos concluir que : futebol afeta negativamente a atividade  econômica. Que fazer com esta consequência ? Proibi-los de assistir Fantástico no domingo ? Todos trabalhando no domingo ?

Ou seja, estaríamos confundindo um esporte chamado futebol, com agremiações que praticam futebol. Tomando uma parte pelo todo. E aonde ficariam as vantagens do futebol levando distração e esportividade de segunda a sábado ?

Se futebol é uma “religião” no Brasil e  em muitos países, difícil de entender, o que dizer da própria religião ?

Portanto na pesquisa religiosa da Harvard o hiato é maior ainda, pois buscam “medir” o efeito das crenças ou as consequências dela, como se fosse possível controlar a fé humana ou a causa delas.

Nem o brilhante Einstein ousou arriscar-se em entender a fé e declarou :  Minha religião consiste em humilde admiração do espírito superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes que podemos perceber com os nossos espíritos frágeis e duvidosos. Essa convicção profundamente emocional na presença de um poder de raciocínio superior, que se revela no incompreensível universo, é a ideia que faço de Deus.” 

Se tomássemos a parte pelo todo, diríamos que o pensamento genial do racional Einstein é antagônico com a afirmação de que “pessoas mais racionais tendem a crer menos em Deus “.

Vale acrescentar ainda a confusão conceitual entre religião e religiosidade, assim como times de futebol com o esporte.

Um ser humano que busca religiosidade na essência, com o olhar voltado para espiritualidade, respeita o direito alheio, as regras de trabalho de uma empresa, da sociedade que está inserido e naturalmente a escolha da religião individual ou coletiva de um povo. Sendo assim, sente-se em paz consigo e obviamente equilibrado para produzir, ser justo, equânime, enfim um cidadão que respeita outrem. Portanto, devemos investir em pesquisas que comprovem o efeito positivo da religiosidade ao invés do eventual negativismo da religião. O próprio catolicismo, mesmo que lentamente, começa com o Papa Francisco esta mudança comportamental de rumo. Suas declarações justamente defendem a liberdade de escolhas afetivas, além de críticas absolutamente abertas à própria igreja que agora dirige afirmando: “frequentemente a Igreja se comporta como controladora da fé, e não como facilitadora”, referindo-se aos padres que se negam a batizar crianças filhos de mãe solteiras. E foi mais longe ainda classificando alguns templos com um comportamento de “alfândega”, expressou duramente. Em outra atitude libertária, afirmou “Deus não pertence a nenhum povo”.

O líder da Igreja Católica ratifica portanto que os valores religiosos estão acima das religiões, inclusive a dele. Muitas atitudes dentro de seitas religiosas, da qual respeitamos todas, não significa tecnicamente, absolutamente nada com princípios de  religiosidade, mas até, em alguns casos, com a religião mal aplicada.

Religiosidade está no exercício da interligação com o Criador, independente se o nominamos de Jeová, Javé, Deus ou Alá.

Portanto os ambientes de trabalho devem respeitar as escolhas religiosas, futebolísticas e afetivas de todos, assim como os funcionários não podem, por conta das suas opções sexuais, religiosas ou esportivas conturbar o ambiente de trabalho.

Por este motivo que o poeta John Lennon, na magistral canção Imagine, sonhou delirantemente  “Imagine there’s no countries it isn’t hard to do. Nothing to kill or die for and no religion too”.

Importante  que Harvard e os grandes centros de pesquisas avaliem estes impactos, porém aprendendo com Francisco I ou com Einstein. Porém independente da opção, embalados sob a canção de Lennon.

Roberto Mangraviti.

Economista, Consultor de Estratégias de Sustentabilidade da ADASP-Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo. Colunista do Instituto de Engenharia de São Paulo, Criador e Editor do Portal Sustentahabilidade.com, Diretor e Apresentador do Programa ADASP-SustentaHabilidade pela WEBTV.

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Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade pela WEBTV. Palestrante, Moderador de Seminários Internacionais de Eficiência Energética, Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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