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Saneamento: os melhores e os piores

Saneamento: os melhores e os piores

Tratamento de esgoto ainda continua sendo um problema no Brasil. Governos se sucedem a nível municipal, estadual e federal, mas os avanços são lentos. Diz o ditado que “obra enterrada, que não aparece, não dá votos”. No entanto, administradores públicos que ainda pensam desta maneira – e pelo ritmo e quantidade das obras parece que são muitos – deveriam rever suas ideias. O tratamento de esgoto, segundo pesquisas, está entrando na lista dos itens mais cobrados pela população, junto com a melhoria da educação e do atendimento médico.

Recente estudo elaborado sobre o tema do saneamento pelo Instituto Trata Brasil descobriu que 61,4% da população das 100 maiores cidades do País têm acesso à coleta de esgoto – enquanto a média restante no Brasil continua sendo de 48,1%. Todavia, o volume de esgoto tratado nestas mesmas 100 cidades alcançou 38,5%, enquanto no restante do País este percentual é de 37,5%. Sobre este ponto o estudo conclui que “a lenta velocidade de avanço nesses serviços compromete a possibilidade do País atingir a universalização do saneamento nos próximos 20 anos, prazo contido no Plano Nacional de Saneamento Básico do Governo Federal”.

Outro problema que deveria ser prioridade nos ministérios da Integração Nacional e das Cidades, por exemplo, é a questão da disponibilidade de água potável. No Brasil em média 82,4% da população têm acesso ao líquido, com percentuais menores nos estados do Norte de Nordeste. Nas 100 maiores cidade do País este índice atinge os 92,2%.

Com relação à perda de água tratada – seja por vazamentos na tubulação ou roubo – o prejuízo médio nas 100 maiores cidades foi de 40,08%; maior do que a média do restante do País (38%). No total, apenas quatro das 100 cidades apresentaram perda de água menor do que 15%. 22% apresentaram índices entre 15% e 30%. Com isso, 74% das cidades têm perdas maiores que 30% e 14 delas acima dos 60%.

O estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil foi feito baseados em dados de 2011, os mais atuais disponíveis no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), do Ministério das Cidades. Dentre as 100 maiores cidades brasileiras pesquisadas, o município mineiro de Uberlândia é o que tem o melhor serviço de saneamento. A seguir vêm as cidades de Jundiaí (SP), Maringá (PR); as paulistas Limeira, Sorocaba, Franca, São José dos Campos, Santos e Ribeirão Preto, seguidas de Curitiba (PR). A lista das cidades que oferecem o pior serviço de saneamento é encabeçada por Ananindeua (PA), seguida por Santarém (PA), Macapá (AP), Joboatão de Guararapes (PE), Belém (PA), Porto Velho (RO), Duque de Caxias (RJ), São Luiz (MA), Teresina (PI) e Aparecida de Goiânia (GO).

O Brasil é um dos países com os mais baixos índices de saneamento na América Latina. Muitas doenças, provocadas por águas contaminadas, ainda vitimam milhares de crianças em todo o País. O problema não é causado pela falta de recursos, já que bilhões de reais foram alocados para a construção dos estádios e demais obras de infraestrutura destinadas à Copa Mundial de Futebol em 2014. O que falta é priorizar o tema do saneamento; o que nos faz pensar: “Será que obra enterrada, que não aparece, não dá votos no Brasil?”

Ricardo Rose é jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias. É diretor de meio ambiente da Câmara Brasil-Alemanha e editor do blog “Da natureza e da cultura” (www.danaturezaedacultura.blogspot.com)

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Ricardo Ernesto Rose, jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias.

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