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A sustentabilidade não é só ambiental. Ela também deve ser econômica.

A sustentabilidade não é só ambiental. Ela também deve ser econômica.

A sustentabilidade vai além de modismo. Além de ser um conceito ambiental, ela também é proporciona ótimos resultados administrativos e financeiros.

Uma empresa ao adotar práticas sustentáveis, passam a ter (se já não possuírem) renovações em termos de gestão.

A sustentabilidade vai muito além de placas solares e lixo reciclável. A prática sustentável requer novas formas de pensar, principalmente no que se concerne a utilização de recursos de forma eficiente. Empresas que passam a se preocupar com práticas sustentáveis tendem a rever conceitos de governança corporativa.

Sustentabilidade é igual a lucro.

Um estudo elaborado pela Universidade Harvard avaliou 675 empresas que possuíam práticas de sustentabilidade. Para chegar a essas empresas, enumerou 27 políticas, dentre elas ambientais, sociais e de governança. O resultado foi surpreendente: empresas que possuíam ala sustentabilidade obtinham melhores desempenhos em relação a produção.

As empresas com excelência em políticas sustentáveis,              apresentaram melhores taxas de retorno, num período de 18 anos.

Em termos de valorização, as empresas que desempenhavam as políticas sustentáveis, quando avaliadas pelo mesmo período de 18 anos, tiveram seu patrimônio aumentado cerca de 33 vezes, contra apenas 26 vezes se comparadas com empresas de baixa sustentabilidade.

Mas é em relação ao retorno do valor investido na empresa (incluindo o investimento para a obtenção das práticas sustentáveis) que os números realmente causam impacto: O retorno de uma empresa de alta sustentabilidade em 2010 foi de sete vezes o valor investido em 1992; o de uma empresa de baixa sustentabilidade foi de apenas 3,5 vezes. Resumindo: O DOBRO.

Ao analisar as empresas de forma comparativa, pode-se notar que a evolução do valor das empresas ano a ano em termos de valor da ação, mesmo em momentos de queda nas bolsas, a desvalorização das empresas de alta sustentabilidade foi significativamente menor do que a das empresas de baixa sustentabilidade.

Avaliando esses dados, chegamos à conclusão que empresas com alta índice de práticas sustentáveis lucraram mais do que as empresas que possuem pouca ou nenhuma responsabilidade ambiental e social.

A sustentabilidade na gestão

No estudo em questão, foi avaliado a forma de gestão das empresas altamente sustentáveis.

A conclusão foi que a sustentabilidade causa mudanças direcionáveis a forma como a corporação lida com as demais áreas, com os colaborados e público e em relação a transparência.

Essas empresas possuem um estilo de governança diferenciada:

  • Têm foco no engajamento de públicos de interesse (stakeholders).
  • Estabelecem processo de diálogo formal com esses públicos e, com isso:
    • Identificam os critérios de engajamento para cada público, bem como suas necessidades e demandas;
    • Conseguem levantar riscos e oportunidades para o negócio;
    • Reconhecem os públicos-chave para a empresa;
    • Treinam executivos para engajar esses públicos;
    • Criam valor compartilhado, por atender tais demandas;
    • Atuam com proatividade e transparência;
    • Orientam investimentos para o longo prazo, isto é, para processos, produtos e serviços de supram as demandas por qualidade e segurança socioambiental, além da financeira;
    • A sustentabilidade é responsabilidade expressa da diretoria;
    • Mantêm um comitê de sustentabilidade que tem por tarefa orientar os executivos quanto às políticas de sustentabilidade e resultados esperados, bem como estabelecer comunicação com os públicos de interesse;
    • O sistema de compensação da liderança está atrelado tanto ao desempenho financeiro quanto à consecução de metas não financeiras ligadas aos indicadores-chave das políticas de sustentabilidade;
    • Boa parte dos investidores ou acionistas é orientada pelos resultados de longo prazo;
    • A tomada de decisões é baseada em dados da concorrência e do mercado, bem como nas informações relativas a stakeholders, devidamente auditadas por firmas independentes.

Ser sustentável vai muito além defatores ambientais e socias. “Transportada para o mundo dos negócios, a sustentabilidade é igualmente importante. Bem aplicada e conduzida, a ferramenta pode propiciar mais lucro e melhor visibilidade às empresas”, ressalta a analista da Unidade de Inovação e Sustentabilidade do Sebrae Minas, Júlia Padovezi.

Ao avaliar de forma mais detalhada, nota-se que empresas com esse perfil possuem fluxo de caixa organizado, salários justos, interação com a comunidade, compra de matéria-prima com boa procedência e menor geração de resíduos sólidos.

Por esses motivos, cada vez é mais comum linhas de crédito “verde”, cujo objetivo é fornecer empréstimos aos clientes para que estes utilizem o dinheiro para práticas socioambientais entre outras facilidades que estimulam e auxiliam tais práticas.

No Brasil isso é possível?

Sim!

Outro estudo, agora realizado pela consultoria alemã Roland Berger mostrou que as empresas brasileiras investiram menos em meio ambiente do que a média internacional. Enquanto no exterior, o setor privado investia cerca de 2% do seu faturamento em tecnologias sustentáveis, no Brasil, 54% das empresas aportavam até 1% das receitas.

Sempre que falarmos em sustentabilidade, temos que falar também do tripé empreendedorismo, inovação e meio ambiente. Nosso país possui ótimos índices de empreendedorismo com busca pela inovação. Se somarmos a esse empreendedorismo inovador fatores socioambientais, todos tendem a crescer e obviamente o Brasil só tende a se desenvolver.

Empresas brasileiras que já entenderam esse conceito, passaram a lucrar muito mais nos últimos anos. Bons exemplos são as empresas Perdigão e Natura.

A Perdigão é uma empresa alimentícia que utiliza ações sustentáveis como formas alternativas de energia e a reutilização da água entre outras, já a Natura é uma empresa de cosméticos comprometida com a sustentabilidade desde sua criação em 1969.A Natura fabrica cosméticos com matérias-primas vindas de fontes renováveis que tem seu cultivo, extração e processamento feitos dentro das regras de sustentabilidade.

Ser uma Empresa Sustentável além do aspecto socioambiental é também ganhar com a redução de impostos cobrados pelo governo, obter linhas de créditos com juros menores, entre outras facilidades e conquistar a confiança dos consumidores que acreditam estar adquirindo produtos de empresas conscientes.

A sustentabilidade enfim, é uma maneira das empresas conseguirem vantagens lucrativas e ainda colaborar com o meio ambiente e a sociedade.

Estudos como os de Harvard mostram que a sustentabilidade dá lucro, ao contrário do senso comum, que vê práticas sustentáveis apenas como custo. Quanto antes acordarmos para essefato, mais rápido poderemos construir o desenvolvimento que necessitamos.

Agora que já chegamos à conclusão que não é só correto investir em sustentabilidade é principalmente muito lucrativo, repensem a forma de gestão de sua empresa e adequem a novas práticas de mercado. Tenham em mente: a aquisição de produtos e práticas sustentáveis é um investimento que a curto prazo melhorará a produtividade e alongo prazo trará altos índices de lucratividade.

Camila Gagliardi

Economista graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e designer de Interiores graduada pela FIAM-FAAM. Possui especialização em Controladoria, Auditoria e Finanças e em Gestão de Projetos pela FGV e em Gestão de Projetos de Arquitetura pela FIAM-FAAM, além de MBA em Gestão Estratégica de Negócios pela Laurete University.

Desde 2001 atua em gestão de projetos em diversos segmentos. Atualmente, leciona para cursos de pós-graduação na área de arquitetura e executa consultorias administrativas, financeiras e organizacionais.

 

Outros textos da autora:

http://sustentahabilidade.com/adequando-seus-projetos-as-praticas-de-gestao-e-fazendo-uma-boa-gestao/

http://sustentahabilidade.com/gerenciamento-de-um-projeto/

http://sustentahabilidade.com/gestao-de-ti-aplicacao-do-pmbok-em-todos-os-setores/

http://sustentahabilidade.com/os-viloes-da-boa-gestao-os-erros-mais-comuns-das-empresas/

 

 

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Economista, designer de Interiores graduada, com especialização em Controladoria, Auditoria e Finanças pela FGV e em Gestão de Projetos. Professora dos cursos de pós-graduação na área de arquitetura e executa consultorias administrativas, financeiras e organizacionais.

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