Artigos

O impacto dos fogos de artifício

O impacto dos fogos de artifício

Os impactos ambientais das diversas atividades ainda são pouco avaliados no Brasil. Nesta área ainda somos um país pouco desenvolvido, limitado à análise das principais ocupações econômicas, como a produção industrial, o transporte, a mineração e a agricultura, entre outros. Os estudos e as estatísticas nos faltam, o que dificulta o desenvolvimento de políticas de planejamento de setores como, por exemplo, o do turismo e lazer em relação ao meio ambiente. Um exemplo é o uso recreativo de fogos de artifício, durante os períodos festivos e em comemorações de todo tipo; seu uso indiscriminado pode trazer conseqüências negativas ao ambiente urbano.

Em primeiro lugar é de se observar que o uso de fogos de artifício se popularizou bastante ao longo dos últimos 20 anos. Se no passado a venda de bombas e rojões era limitada quase que exclusivamente ao período das festas juninas, atualmente, com o aumento do poder de consumo, o uso destes instrumentos ocorre ao longo de todo o ano. Estamos consumindo mais fogos de artifício; a fiscalização e o esclarecimento quanto ao uso destes implementos, no entanto, é quase que inexistente – é também por isso que vez ou outra explode um depósito de fogos de artifício, localizado geralmente na periferia das cidades.

O impacto dos fogos é bastante grande. Além de causarem ferimentos em adultos e crianças, exercem um grande efeito no meio ambiente, principalmente das pequenas e médias cidades. Isto porque, este tipo de aglomeração urbana ainda possui uma grande variedade de animais selvagens, notadamente pássaros, que vivem na periferia destas cidades; na zona limítrofe entre a ocupação humana e o campo ou a vegetação natural (floresta, cerrado ou caatinga). É bastante comum em cidades localizadas em regiões que ainda dispõem de vegetação original (floresta amazônica ou mata atlântica), observar a presença de pássaros característicos da floresta nos bairros periféricos.

Alguns destes pássaros são migratórios, como as andorinhas, que se deslocam todo ano do hemisfério Norte (Alasca, Canadá, Estados Unidos) para a América do Sul, passando pelo Brasil. Estas aves são bastante comuns no final da primavera no interior do estado de São Paulo, onde sua presença provocou protestos de parte da população, devido à sujeira e odor de suas fezes. Chegou-se, inclusive, a falar em eliminação destes pássaros – fato que felizmente não ocorreu. Importante aspecto da presença destas aves nas cidades é a eliminação de grandes quantidades de insetos, inclusive aqueles que são vetores de doenças como a dengue e a malária. Dados apontam um aumento dos casos de dengue nas cidades do interior do São Paulo, desde que diminuiu a presença de andorinhas e outros pássaros silvestres, com o crescimento das cidades e avanço da agricultura.

É assim que o uso indiscriminado de fogos de artifício vem afastando das cidades os pássaros – coleirinha, bico de lacre, andorinha, sanhaço, sabiá laranjeira, bem-te-vi, pintassilgo, tico-tico, corruíra, joão de barro, entre outros – que se alimentam de todo tipo de inseto danoso ao ser humano. O constante barulho das explosões e dos tiros faz com que os pássaros se afastem da região, abrindo espaço para os insetos. No entanto, o uso consciente dos fogos de artifício poderia contribuir para preservar este tipo característico de fauna presente nas cidades.

Ricardo Ernesto Rose, jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias. É diretor de meio ambiente da Câmara Brasil-Alemanha e editor do blog “Da natureza e da cultura” (www.danaturezaedacultura.blogspot.com)

Artigos

Ricardo Ernesto Rose, jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Desde 1992 atua nos setores de meio ambiente e energia na área de marketing de tecnologias.

Mais em Artigos

Dia da Árvore e o bem estar

Dia da Árvore e o bem estar !

Roberto Mangraviti21 de setembro de 2020
Bioinseticida combatendo a mosca branca na agricultura

Bioinseticida combatendo a mosca branca na agricultura

Roberto Mangraviti7 de setembro de 2020
Unicórnio nacional é destaque no mundo dos negócios ambientais

Unicórnio nacional é destaque no mundo dos negócios ambientais

Roberto Mangraviti8 de agosto de 2020

Energia limpa crescendo em 2020 no Mundo

Roberto Mangraviti3 de agosto de 2020
Novo marco legal do saneamento

Novo marco legal do saneamento

Roberto Mangraviti26 de julho de 2020

Conheça do benefícios das plantas medicinais e aromáticas

Isabel Gimenez20 de julho de 2020

Primeiro pivô de irrigação por energia solar é lançado no Brasil

Roberto Mangraviti13 de julho de 2020

Biosolvit é ganhadora do Virtual South Summit de Sustentabilidade

Roberto Mangraviti28 de junho de 2020

Transações online de gado ganham força durante pandemia

Roberto Mangraviti15 de junho de 2020

Quis autem vel eum iure reprehenderit qui in ea voluptate velit esse quam nihil molestiae consequatur, vel illum qui dolorem?

Temporibus autem quibusdam et aut officiis debitis aut rerum necessitatibus saepe eveniet.

Copyright © 2015 Sustentahabilidade - Todos os direitos reservados.
Os artigos publicados neste Portal, são de responsabilidade exclusiva de seus respectivos autores. Para mais informações: contato@sustentahabilidade.com

Outros emails específicos: classificados@sustentahabilidade.com dependenciaquimica@sustentahabilidade.com